quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Relatos do último fim-de-semana: Västerås, Surahammar


Este último fim-de-semana fui a um mini, mini encontro (éramos apenas 3) de assistentes de língua em Surahammar - localidade, no meio de nenhures, onde mora mais um assistente francês, Jan. Tive como animada companhia, o dono da casa, mais Svetlana, rapariga muito conversadora, que nasceu na Eslováquia, mas que veio para a Suécia também como representante da França. Quando digo que Surahammar fica no meio de nenhures é que fica mesmo no meio de nenhures. Tive que apanhar o combóio até Västerås, cidade que fica apenas a meia hora de distância de Eskilstuna. Até aí não houve problemas. Pior foi ter que esperar mais de 3 h pelo autocarro para ir então a nenhures. Afinal problemas de trasnportes, principalmente ao fim-de-semana, não é só em Portugal. Mas os meus colegas foram porreiros e decidiram fazer-me companhia em Västerås, onde decidimos fazer uma breve vistita à catedral, que era para ser em Eskilstuna, e andar pelas ruas da cidade.
A visita foi rápida, mas gostei muito dos vários edifícios, como o da Câmara e do parque com a particularidade de ter uma casa típica sueca, de madeira, bem no topo de uma árvore.

Os dois dias passados na "pousada" Surahammar foram bastante animados com tentativas gastronómicas que tiveram bons resultados : um bolo de chocolate em que tive a importante tarefa de copiar o texto da receita da Internet, em francês, para umas folhinas amarelas, que eram por sua vez coladas no armário para a receita ser seguida com precisão. Olhem bem para a técnica...






Domingo foi dia de caminhada na floresta de nenhures. A floresta estava repleta de neve branquinha e riachos congelados. Devo dizer que preciso de aperfeiçoar a técnica de andar na neve. escorregava várias vezes pelo caminho e espetei o pé bem no gelo fino que foi uma beleza. Felizmente tinha umas botas resistentes. Gostei da experiência de andar sobre o gelo do lago Mälaren (o mesmo que fica perto de Torshälla e Eskilstuna. Mas a caminhada de longas horas deixou-me mesmo de rastos.


Fui-me embora de Surahammar ao mesmo tempo que a "pousada" recebeu a visita de um outro assistente, vindo da Turquia - Mustafah. Logo na segunda-feira, recebi a visita de Mustafah e Svetlana à minha escola onde fiz de guia e mais tarde levei-os a visitar os pontos de interesse da cidade. Foram mais umas tantas horas de passeio a pé que me deixaram igualmente cansada para o resto da semana.

Estocolmo outra vez

Na 3a feira da semana passada, fui a Estocolmo de manhã para a conferência em que tive que falar publicamente (oh meu Deus!) e, de tarde, aproveitei para visitar a cidade velha de Estocolmo.

Tive que acordar às 5 horas da matina para poder apanhar o combóio das 6h40. Sem discurso preparado, murmurei as ideias improvisadas, pelo caminho invernoso e nevoso de casa até à estação. Tnato trabalho para nada. A conferência foi bastante interessante, tirando a parte de ter sido quase toda falada em sueco, e foi assistida pelas diversas individualidades ligadas à Educação, como o ministro sueco. Esteve também presente o senhor responsável pelos projectos da União Europeia, como Erasmus, Sócrates, Coménius, Grundvig - o sr Michel Richonner - o único que falou em inglês, com o sotaque muito afrancesado, apesar de ter vivido nos Estados Unidos durante muitos anos. E lá falou, com algum tom de humor e telemóvel a apitar durante o discurso, do futuro destes programas, que irão ser mais simplificados e menos burocráticos. Depois de um breve intervalo, lá disporam mesinhas no palco e bancos de bar, para os próximos convidados. Claro está que eu estava incluída entre aquele grupo de professores e estudantes Erasmus naquele palco, focado por câmeras e olhares atentos. Ao menos não era a única o que me fez sentir mais confiante. A jornalista presente foi fazendo perguntas a cada uma das pessoas até chegar a minha vez. Lá fez perguntas sobre o sistema educativo português, que diferenças encontrava na escola onde estou a trabalhar, se gosto do Inverno sueco, etc, etc... passou, foi, consegui falar, mas tive a sensação de que deveria ter falado mais da minha experiência, no ensino de português, mas não houve tempo. Enfim, passou e terminou com um almoço oferecido pela organização do evento. Como prenda ofereceram-me flores e um cheque de 250 coroas para gastar em livros.

De tarde fui então fazer-me de turista. O museu do palácio real fechava muito cedo - às 3 da tarde. Fui, então, ao mais antigo museu da Suécia que ficava no mesmo edifício do palácio - o Livrustkammaren. Este museu não é muito grande e é uma espécie de museu do traje e dos coches. Encontram-se fatos e vestidos da família real, ao longo dos últimos cinco séculos. Encontra-se também vestuário, incluindo o traje de fantasia que o rei Gustav III levava, quando foi assassinado em 1792, o uniforme e as botas enlameadas do rei Karl XII quando foi morto em batalha em 1718.
No piso superior havia encontram-se as várias carruagens e alguns trenós curiosos - outrora transportes favoritos da realeza no Inverno, pois eram muito mais rápidos que um coche para viajar na neve. Radical!

Depois da visita ainda encontrei-me com a Nathalie, onde ainda passeámos pelas ruas antigas de Estocolmo. Já tinha feito isso antes, mas não me canso de ver os edifícios antigos e coloridos, tão bem preservados. Pausa para café na zona mais moderna da cidade e depois regresso a casa. :)

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Gamla Uppsala

... mesmo assim... domingo foi um dia bastante interessante para passear. Dirigimo-nos, de imediato, para a paragem do autocarro não para fugir da cidade, mas para visitar Uppsala antiga, local de culto vicking há mais de 1500 anos. Localizado numa paisagem campestre, Gamla Uppsala resiste ao tempo e conta-nos uma história que remonta aos povos bárbaros. Alguns pequenos montes passam despercebidos ao turista ignorante da sua história. Depois de entrarmos no museu, aprendemos a sua importância, como símbolo de identidade e nacionalismo sueco, preservado e admirado durante séculos. No entanto, este nacionalismo teve os seus perigos, pois foi usado durante a 2a guerra mundial e após o conflito pelas facções de extrema direita na Suécia. O museu explica toda a história desses montes e desse local desde a sua criação até aos nossos dias.


Pois bem, o que tem de especial estas elevações? Não são moldadas pela natureza, mas sim pelo homem como elevações tumulares. Os três montes maiores e que foram explorados pelos arqueólogos pertencem a reis vickings importantes. Os corpos foram queimados e depois cobriram as cinzas primeiro com um monte de areia, depois barro e mais uma outra camada de terra. Os outros montes não foram abertos, por isso, não se sabe a quem pertence. Neste local, foi também encontrado o corpo de uma mulher dentro de um barco vicking e objectos pessoais.


Gamla Uppsala foi igualmente um local de culto e de sacrifício aos deuses - as vítimas eram tanto animais, como humanos. Todos podiam estar sujeitos ao sacrifício, até mesmo um rei, que em momento de crise, de fome e de más colheitas, sacrificou-se para salvar o povo da miséria. Olha se o Sócrates fizesse o mesmo...
Antes de chegar ao museu, fomos primeiro visitar a igreja, construída nos primórdios da cristandade na Suécia e foi outrora a catedral, despromovida, mais tarde, a igreja paroquial.

A igreja é grande e tem muitos vestígios desenhados nas suas paredes que me fizeram lembrar os frescos antigos de santos na igreja de Bravães, Ponte da Barca.

Achámos muito curioso um edifício estranho de madeira, bem ao lado da igreja. Terá sido uma réplica do período vicking? A união de culto pagão com o culto religioso? Perguntava eu em termos filosóficos e profundos. Acabei por perguntar ao recepcionista do museu que com um grande sorriso disse que era apenas uma torre com sinos. Em algumas igrejas antigas, como não tinham torre com sinos, foram construídas casas de madeira para o efeito. Ora bolas! E eu a pensar em algo mais profundo que isso!


E pronto. Assim terminou a nossa visita a Gamla Uppsala.

Ainda fomos a uma pizzaria almoçar e depois fomos para a estação (antes ainda nos desorientámos pelo caminho). É uma cidade com pontos de verdadeiro interesse. Adorei a catedral pela sua beleza simples, sem grande austeridade e gostei bastante da Gamla Uppsala com a sua história de mais de mil anos de heróis vickings.

Uppsala à noite

Depois de um merecido descanso já na pousada, onde pernoitámos, saímos para jantar e aproveitar a noite. Foi um pouco decepcionante pois primeiro, foi difícil encontrar um restaurante para as nossas bolsas. Encontrámos um restaurante chinês, de preços agradáveis e que servia comida japonesa. Depois de encher o estômago, tivémos a tarefa complicada de encontrar um bar aberto. Sim, sábado à noite numa cidade de estudantes! Tarefa mesmo complicada, pois as ruas pareciam desertas. Acabámos por beber um cházinho quente num café aberto até à meia noite. Antes disso tivémos um momento algo estranho, enquanto estávamos na nossa demanda. Avistámos primeiro um bar que parecia simpático. Quando estávamos entretidas na entrada a olhar para os preços ouvi uma mulher a falar muito alto. Estranhei um pouco, porque os suecos não são muito de fazer peixeirada. A minha companheira, não achou que houvesse alguém a discutir e no momento em que íamos entrar para o dito estabelecimento de ar simpático, a mulher que estava a falar alto caiu de costas para fora da porta e um homem segurava-lhe os braços. Não me parecia que estava a ser uma discussão muito amigável e desviámos o nosso destino para o outro lado da rua. Todo o ambiente da cidade à noite pareceu-nos bastante obscuro, quase sem ninguém. Uma surpresa infeliz, pois disseram-nos que a animação nocturna em Uppsala, com os estudantes, até que seria bastante animada. Pois... muito...tanto que ouvimos música de um clube nocturno, bem ao lado da pousada, uma tagarela de uma inglesa ao telefone no quarto ao lado que nunca mais se calava e para culminar bem a madrugada, um homem que de vez em quando berrava por uma "ANNEEE!!" que nunca mais aparecia, juntamente com o relâmpago de mobília aos pontapés. Ok... foi uma noite bastante sossegada, como podem ver...

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Uppsala: a catedral, a universidade e o castelo

A catedral de Uppsala


Tal como tinha planeado, fui num fim-de-semana a Uppsala, antiga sede do arcebispado e cidade com a universidade mais antiga da Suécia. Tive como simpática companhia, Nathalie - uma colega francesa, que trabalha numa escola em Södertalje a poucos kms de Estocolmo, através do mesmo programa Coménius. Nathalie é bisneta de sueco da parte do pai e filha de mãe espanhola - veio à Suécia um pouco para conhecer a terra dos seus antepassados.

O primeiro ponto de encontro para a viagem foi na estação de combóios em Estocolmo. Daí apanhámos o combóio que em poucos minutos - cerca de meia hora - nos levou a Uppsala. Esta cidade é a quarta maior do país com cerca de 180 000 habitantes. Achámos, no entanto a cidade um pouco vazia ao fim-de-semana.

Uppsala foi, em tempos, famosa pela formação de cientistas como Carl von Linné - um botânico e médico, que se tornou símbolo da cidade. Em todos os cantos da cidade, vemos vitrines com livros dedicados a este senhor. Este ano celebram-se os 300 anos do seu nascimento. Outro cientista famoso "criado" em Uppsala foi Anders Celsius.

A primeira visita que fizémos foi à catedral da cidade. A maior da Suécia. Este é um dos monumentos que domina Uppsala, com as suas duas enormes torres. Gostei imenso do seu interior. Apesar de ser um edifício imponente, com as abóbodas de estilo gótico, tem uma luz e uma beleza bastante simples, sem aquela decoração exagerada a que estamos habituados em ver nas nossas igrejas. Para "colorir" ainda mais o clima deste monumento, encontrámos um coro, de vozes afinadinhas a ensaiar. A acústica é muito boa.

um dos vitrais da catedral















Na catedral estão sepultados os reis Gustav Vasa, Johan III e, claro está, Carl Von Linné. Encontram-se igualmente os restos mortais de St Erik, o santo padroeiro da Suécia. túmulo do casal monárquico Vasa

Estando eu entretida a tirar fotografias, tive a preocupação de desviar a máquina para não "apanhar" uma senhora que estava para ali parada, pensando eu, à espera de alguém. A minha companheira francesa é que me chamou atenção e avisou-me de que aquela senhora não era uma visitante qualquer, mas sim uma estátua em cera. A obra de arte tem como título "Mary (the return)" de Anders Widoff e não é nada mais do que o "regresso" de Maria, mãe de Jesus, depois de uma longa ausência na catedral. O seu "desaparecimento" aconteceu, precisamente, em 1702 quando a cidade e a própria catedral, foram vítimas de um grande icêndio. A capela, onde a santa morava ficou parcialmente destruída. Depois, veio a Reforma que proibiu qualquer representação de Maria, em estátua.


Mary (the return)

Em 2005, surge, então esta figura estática, como uma visitante, de costas para o altar, olhando para o local que foi outrora "seu" e é agora a capela Vasa.


Depois da visita à catedral, decidimos passear pela cidade. Encontrámos o edifício antigo da universidade ou a Universiethuset, estilo neo-renascentista. Vimos também o Gustavian, que também faz parte da universidade e que se destaca pela sua abóboda invulgar. Este museu conta a história da universidade e foi local antes para o estudo de atonomia e autópsias assistidas pelos alunos de medicina. Infelizmente, não chegámos a entrar lá dentro, mas fomos visitar a biblioteca onde se encontra uma exposição sobre escrita, alguns objectos que pertencem a Linné, a bíblia de prata, do século VI, vários mapas antigos que representam a Suécia em tempos idos.

De muita caminhada que fizémos, uma coisa é certa: não confiar de todo em mapas dos guias que temos. Demos uma volta enorme à procura do castelo de Uppsala sem necessidade nenhuma, pois ficava no mesmo caminho que a catedral e a universidade, mas mais acima. E nós ceguinhas não reparámos no edifício consideravelmente grande e cor-de-rosa. A culpa foi do mapa, tá!!

Antes de irmos ao castelo, fomos comer qualquer coisa barata. Optámos por um café acolhedor, onde serviam saladas com massa de todo o tipo. Já refeitas e com as energias renovadas, fomos então subir uma rua inclinada que nos levou ao dito castelo, que abriga o museu de arte e é a actual residência do governador. O castelo foi construído primeiro como fortaleza, em 1549 e, após o grande icêndio de 1702, que destruiu parte da cidade, foi totalmente destruído, tendo sido restaurado mais tarde.

Não fomos tomar um chá com o governador, que não estava em casa, mas fomos visitar o museu. Atenção: se ainda pensam que na Suécia encontram museus gratuítos, tudo mudou agora com o novo governo. As entradas dos museus são agora pagas. :(

O museu é pequeno e a sua área divide-se entre arte mais clássica (séc XVIII) e arte moderna - com pinturas e cerâmicas.

Fora do castelo, podemos contemplar uma vista da cidade e do alto de um miradouro. Para lá chegar, foi uma tarefa algo complicada. Não pela subida em si, mas pela quantidade de gelo que havia no chão. Patinámos imenso, mas sem quedas ou ferimentos. Pela cidade era o mesmo, com locais bem propícios para quedas. Eu como já andava traumatizada e a minha amiga como andava com um problema no joelho, éramos duas turistas medrosas, a andar muito devagarinho com medo de cair. Ficámos admiradas como os suecos andam de ténis "all star" ou as suecas com sapatos de sato alto, sem preocupação e sem nenhum espalho.
ai ai ai ai

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

O inconveniente da neve...

É muito branquinha, muito bonita, não faz barulho ao cair, mas quando nós damos por ela, no caso da tuga despistada que sou, escoregamos no maldito terreno engelado, voamos literalmente e caímos com os costados no chão. Aconteceu-me ontem o acidente e não sei como não me parti toda. Estou toda dorida!!

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Ein??


Esta é a cara espantada da Tuga, de nariz vermelho e no meio de tanta neve. É o que se pode arranjar...

Olha para mim!!

Na semana em que tive em St: Eskil, tive a oportunidade de conhecer algumas professoras bastante simpáticas: Elsa, a professora de Francês e com quem tive o prazer de assistir uma aula (mais para voltar a aprender do que ajudar) e Karen, uma professora dos States que vive em Eskilstuna há mais de 16 anos.

Numa conversa bastante animada com as duas, enquanto almoçávamos na cantina, tivémos a falar sobre comportamentos diversos entre suecos, portugueses e outras nacionalidades. Riram-se imenso com a minha história de ter visto um homem bem vestido, de fato e gravata a comer despreocupado uma banana no combóio. Em Portugal isso não acontece, pois somos demasiados vaidosos. Depois a Karen referiu o sentido prático dos americanos que num casamento em Itália, ao ver uma escadaria enorme para subir até a igreja, decidiram descalçar os seus belos sapatos de cerimónia e colocar uns ténis. Enquanto isso, as convidados italianss subiam as escadas com esforço de salto alto.

Depois tivémos a verificar diferenças em cumprimentos. Os suecos entre amigos abraçam-se e entre estranhos, mesmo fora de formalidades, apertam a mão como sinal de conhecimento.

O mais curiosos foi o comentário de Elsa quando diz que na Suécia é de muita má educação, cruzar-se com alguém desconhecido, sem olhar directamente para a sua cara.
Eu bem que achava um pouco estranha essa mania de estranhos olharem para mim directamente e isso, na minha desconfiança de Tuga, lá pensava que tinha algum objecto não identificado na cara. O que pequenos comportamentos podem levar a más interpretações!!

Apenas um olhar entre estranhos, no ponto de vista de um sueco, quer apenas dizer "Olá! Eu não te conheço mas estou aqui!" e somos mal educados se desviarmos o olhar e ignorarmos a presença do desconhecido. Um comportamento interessante, principalmente por parte de um povo considerado frio e distante.

Em St: Eskil Gymnasiet - parte 2

Depois deste último lamento drástico, falemos, então, dos alunos.

A escola é maioritariamente ocupada por alunos do sexo feminino. Conseguia-se ouvir o murmúrio habitual das meninas, sempre muito faladoras.
Apesar da escola não ter tantos programas vocacionais como Rekarne, conheci algumas alunas, futuras cabeleireiras com muito jeito para a conversa e com uma curiosidade enorme sobre a minha vida pessoal (tique normal das cabeleireiras...). Havia também futuras tratadoras de cavalos, e, como já tinha referido, futuros agentes de turismo. Conheci alunos de artes e música. Uma parte dos alunos tinham ar rebelde, marcando a diferença com penteados que fazem lembrar a era "punk" dos anos 70, com cabelo arrebitado, cor-de-rosa, ou com muitos piercings. É assim mesmo!

Também fui visitar uma turma IB. Essa turma é de alunos que vão fazer exames em inglês a nível mundial e que podem ser corrigidos em qualquer parte do mundo. Quem participa nesse programa, tem que ter um nível de inglês excelente, capaz de conseguir analisar textos, de desenvolver um senso crítico bastante profundo, relativamente a artigos actuais ou a obras literárias. Muitas das obras que estão a ler, fizeram-me recordar tempos idos das aulas com a "generala" ( para quem não sabe quem é, foi a minha professora de literatura americana.) : "Catcher in the Rye"; "The Great Gasby"...

Os alunos IB são, na sua grande maioria filhos de pais estrangeiros, apesar do programa ser aberto a todos os alunos, desde que o seu nível de inglês seja avançado. Também podem participar alunos estrangeiros que estudam. neste caso em ST: Eskil, por um ano.

Se for a comparar estes alunos com os de Rekarne, estes são mais curiosos e mais interessados. Assim foi a perspectiva que tive quando os conheci em várias turmas. Depois do grande sucesso com o concurso que fiz com eles sobre Portugal, eles colocaram-me muitas questões sobre o meu país, e sobre o modo de vida dos adolescentes. Perguntaram-me também sobre o que eu pensava da Suécia e do povo sueco.

Depois tive uma daquelas surpresas em encontrar em cada turma, caras conhecidas que só tinha visto uma vez. "I´m sorry"- disse-me um aluno "But I think that you are from my choir..." ; ou ainda uma rapariga loira, cuja cara também não me era estranha vira-se para mim e diz "Where have you been?? You haven´t appeared in the choir anymore" e eu de sorriso de culpada por tal "pecado" lá respondia: "pois, tive em Portugal nas férias do Natal, e depois fiquei doente...desculpa..." (a partir dessa altura tenho ido sempre aos ensaios...um adolescente não perdoa!" Encontrei, pois uma grande parte dos membros do coro mais novo.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Em ST Eskil Gymnasiet



Na semana passada, fui "emprestada" a uma outra escola secundária na cidade. Assim como os jogadores de futebol são emprestados para uma temporada. Assim fui eu durante uma semana, trabalhar em St: Eskil, uma escola bem situada no centro da cidade. A escola é composta por vários edifícios que, curiosamente, estão separados e não localizados no mesmo espaço. Ou seja, Quando eu ia para a cantina, por exemplo, tinha que atravessar o outro lado da rua, onde estão situados igualmente os departamentos de música e das artes.

A entrada principal da escola





















Apesar da remodelação, a escola não deixou de ter o aspecto austero, fazendo-me lembrar as antigas escolas do centro de Lisboa, construídas no tempo de Salazar, com os seus corredores estreitos e mobiliário escuro.

Gostei bastante da sala de pessoal da escola onde se respirava história, com estantes de livros antigos e retratos dos ex-reitores de St: Eskil.
Mas, uma sala, tão iluminada e convidativa não parecia atrair os professores que iam buscar o seu cafézinho e refugiarem-se no seu espaço. Esta foi uma das diferenças que encontrei nesta escola. Não senti aquele verdadeiro clima de convívio, à hora de Fika, como encontro em Rekarne.

Em St: Eskil, os alunos fazem as suas actividades na sala de aula. A escola tem também restrições no uso dos computadores, mas têm como objectivo de haver no próximo ano um computador por aluno, em algumas turmas.

St: Eskil não parece ser tão inovadora como Rekarne, primeiro porque o próprio espaço não ajuda e porque muitos professores preferem trabalhar sozinhos do que em equipa. Mas há excepções. E essa excepção está num pequeno grupo de professoras de Inglês como Inkeri Böök, a minha mentora por uma semana.

Alta, magra, de ar aristocrático e bastante segura, Inkeri apresentou-se perante a minha pessoa, decidida em "raptar-me" por uma semana, já com horário definido e tudo. Não consegui dizer que não, até porque não a conhecendo, aquela presença intimidou-me um bocado, mas ao mesmo tempo tinha imensa curiosidade em conhecê-la, principalmente o seu método de trabalho.

Numa manhã nevosa e de chão escorregadio, fui visitar uma aula de turismo, em que os alunos já faziam planos para os turistas "virtuais" (uma família, um grupo do País de Gales, um grupo de idosos...) e durante a sua ocupação, Inkeri falou-me do seu método de ensino. Primeiro de tudo, disse-me que não acreditava em manuais escolares, que obrigam os alunos a obedecer instruções, sem ter liberdade de escolha. O que costuma fazer é, no início do ano lectivo, entregar uma lista a cada aluno, de várias actividades: um determinado número de artigos de revistas diversas para ler, um número de exercíos de escrita, de "listening", várias conversas ou apresentações orais para a professora, etc.. A gramática é aprendida através de testes diagnósticos, em que o aluno se auto-corrige e aprende os seus erros. Por vezes, quando necessário a professora dá uma explicação, mas na maior parte das vezes, esta quase que se torna invisível na sala de aula. Este plano é todo ele feito ao longo do ano. Cabe ao aluno a responsabilidade de escolher as suas actividades.

Mas, perguntam vós, oh mentes curiosas, como é que a professora avalia e controla essa confusão de actividades numa turma? Atão não se corre o risco dos alunos, ao longo do ano, não fazerem nenhum?

Ora bem. Para além de todas estas actividades, no final de cada aula, o aluno tem que escrever num caderninho "log book" o que pretende fazer ou o que acha que deverá ser feito. A professora rubrica o texto que escreveu. Para além disso, o aluno marca sempre um encontro com a professora para explicar o trabalho que tem sido feito. Os mais preguiçosos acabam sempre por se aperceber que têm de trabalhar, pois são confrontados com a professora (lembram-se que o ar aristrocático da senhora também ajuda) sobre o motivo do seu desleixo. Por isso, existe um controlo, um plano bem estruturado por detrás deste trabalho. Mas não funcionaria numa escola em Portugal. Não há liberdade em se ser inovador. Não existem materiais suficientes e numa altura em que o professor é condenado na "guilhotina" como o responsável pela má aprendizagem de um aluno, este método inovador não seria compreendido e a condenação à morte seria inevitável. :(

segunda-feira, janeiro 29, 2007

A neve já chegou!!

Finalmente, há uma semana atrás, Eskilstuna vestiu-se de branco:


A igreja mais antiga da cidade: Fors Kyrka

















A parte mais antiga de Eskilstuna, no outro lado do rio.












As árvores despidas e pintadas de branco



Sol!!













A preto e branco...

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Mais uma semana a voar

É verdade. O tempo tem asinhas agitadas. Já passou uma semana e o fim-de-semana aparece vestido de branco. Mais uns dias de neve provisórios, pois o tempo não está assim muito frio. Mas é bonito de ver o caminho de casa para a escola todo de branco. Até tive dificuldade de ver a passadeira... Vou ver se consigo tirar umas fotos antes que a neve se derreta.

A próxima semana vai ser de muitas novidades. Por uma semana vou assistir aulas e ver como as coisas funcionam numa escola secundária diferente: St Eskils. A escola é bastante grande e muito mais antiga que Rekarne. A minha "mentora" vai ser Inveri Böök - pelo que ouvi dizer de outros professores, é uma professora com uma visão perante o ensino bastante futurista e diferente. Estou cheia de curiosidade...

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Finalmente!

Sim, finalmente! *pulos de alegria!* consegui encontrar um curso de sueco! Vai ser numa escola de línguas. Sim, se fosse esperar pela instituição responsável pelos imigrantes, bem que esperaria sentada...
O meu problema foi mesmo falta de informação acerca de possíveis cursos de língua sueca na cidade. O único que a minha orientadora tinha conhecimento era o dessa organização que oferece o curso para imigrantes e refugiados. Mas como não sou nem uma coisa, nem outra colocaram-me em lista de espera, dando prioridade primeiro aos refugiados (bolas, será que não se podia provocar uma guerra em Portugal? ¨) e depois imigrantes e depois aqueles que não são nem uma coisa, nem outra. Assim como eu. Pronto e cá estava eu à espera, a olhar para uns livros do tempo da maria cachucha em que os homens eram todos "bilmecanichers" e as senhoras "hemmafrus". Depois fez-se luz dentro da minha mente. Uma luz que deveria ter aparecido mais cedo... "Atão" se em Portugal há escolas de língua em que o Português é ensinado como língua estrangeira, não há também aqui?" E esta pergunta foi direccionada à minha orientadora que prontificou-se a telefonar a todas as escolas de língua da cidade (são apenas 4) e tcharam! Foi encontrado o curso em apenas uma! E já vou começar na próxima segunda!! *mais pulinhos*

É que realmente andava um pouco decepcionada com o facto de estar já há algum tempo neste país e não saber quase nada da língua.

Conquistar o público

Ontem fui a uma conferência em Eskilstuna, sobre programas comunitários nas escolas, ao qual tive que participar. Uma participação de manhã e outra de tarde. Sim, euzinha a falar em público à frente de um grupo de 60 pessoas- primeiro reitores de várias escolas e, depois, professores também de várias escolas. O que vale é que falei por apenas 5m. É o efeito de nervosismo perante uma audiência que olha para mim. Começo a falar a uma velocidade vertiginosa para passar depressa e deixar de ser o centro das atenções.

Mas já começo a conhecer o truque para combater este nervosismo e gaguez atrapalhada. Simplesmente olhar para caras sorridentes para sentir-me mais confiante e dizer de vez em quando umas piadas. E riram-se! Acho que teria sucesso como comediante de "stand up" ou coisa assim parecida. Vou institucionalizar um "Levanta-te e ri" na Suécia.

Acontece que, tirando as piadas, o objectivo do meu curto discurso improvisado, foi falar um pouco sobre a minha experiência enquanto assistente de língua. Como tive conhecimento, qual foi o meu interesse em participar, como é o meu trabalho.

Resultado disto tudo. Fui convidada, mais a minha orientadora, a participar numa outra conferência em Estocolmo perante uma audiência de 700 pessoas com um apresentador de TV famoso incluído na apresentação. Ora Toma! :=O

Vinde, crianças que ressonam!

Na terça feira, na minha aula de Português uma aluna minha que estava de "baby sitter" de serviço, pediu-me para que uma menina de dois anos assistisse à aula. Claro que disse que não haveria problemas, desde que não fizesse muito barulho. Ficou entretida a comer um gelado e a fazer rabiscos num papel. Até era bastante sossegada, muito melhor comportada que certos alunos que por aí abundam.

Quando já andava a meio da correcção de um exercício de repente, escutei um barulho estranho de respiração ensurdecedor. Olhei e vi a menina embrulhada, e confortável no colo de duas alunas a ressonar com o ar mais pacífico deste mundo. O que gerou de imediato risotas da minha parte e das alunas. OK aqui está o efeito das minhas aulas. Adormeço até criancinhas com a minha estratégia de ensino de Português. :)

quinta-feira, janeiro 11, 2007

O drama de dois bolos rei



Dois bolos rei, redondinhos e coloridos foram retirados da sua pastelaria mãe de forma brutal e dramática e enfiados em caixas vermelhas a desejar um feliz Natal. Estes dois bolos tiveram durante 3 dias uma vida efémera de terror e maus tratos, acabando as suas tenras vidas em migalhas num país de língua estranha.

No dia após o seu rapto, os dois bolos monarcas foram separados. Triste destino para estes dois irmãos que foram novamente entalados em espaços pequenos. Um deles foi enfiado num saco natalício e teve como companhia irritante, uma caixa de broinhas castelar de vozes agudas e assopranadas. O segundo ficou entalado entre uns livros e roupa interior, numa mala preta e cinzenta de duas rodas que andou mais de 15 minutos aos tropeções. Tiveram num sítio desconhecido, de odor a gasolina, que lhe provocaram náuseas e mau estar no meio de tanto solavanco, de altas altitudes.

Depois de um dia para esquecer os dois bolos, saíram inteiros e ainda redondinhos e coloridos, conseguiram respirar em paz por mais um dia.

Às dez horas da manhã de uma segunda-feira os dois bolos foram colocados em exposição perante olhares curiosos que pronunciavam "Fika" de forma religiosa. Às 10h00 o primeiro bolo foi mutilado, sem dó e nem piedade. Às 10h15 já estava a menos de metade. Teve o seu destino fatal em migalhas às 11h00.

Segunda "Fika", segundo bolo reduzido em milgalhas. Em apenas uma hora o segundo monarca só estava reduzido em uma fatia, mas foi um regalo aos estômagos do pessoal sueco que nunca saboreou coisa igual. Dos dois monarcas só restaram na memória uma fava e dois bezerros de brinde.

E este relato, estilo notícias da TVI , conclui que... se fosse a fazer negócio de bolo rei nesta terra, estaria milionária!

E pronto cheguei

É um pouco estranho, mas cheguei. Tenho aquela sensação de que Suécia e Portugal quase que são a mesma coisa, tirando o facto de um ser um país mais civilizado que outro. Digo isto apenas porque o tempo para mim tem sido tão rápido que quase não consigo estranhar a distância que separa estes dois países. Quando cheguei a casa no meu país, olhei à minha volta e tudo parecia na mesma. Os meus pais rabugentos, na mesma, a minha gata, na mesma com os seus ataques felinos ora de boa ou ora de má disposição, os meus vizinhos, idem, idem, aspas, aspas. Nada mudou. "Ora cá estou! Até parece que fui passar um fim-de-semana à Suécia e já estou de volta!" E terminadas as férias cá estou eu, novamente, para entrar na rotina diária da escola. Mas é que o facto de ter mudado de Lisboa para Eskilstuna ou de Eskilstuna para Lisboa, não alterou nada na minha vida. É como se eu fosse de uma santa terrinha algures perdida em Trás-Os-Montes e passasse por lá o Natal e voltasse de novo a Lisboa.Talvez seja o facto das novas tecnologias fazerem em mim menos saudosa. Com a Internet e o telefone, posso sempre matar as saudades dos meus amigos e da minha família. Por isso mesmo nem sequer senti a fase árdua de período de adaptação a um novo país e a uma nova língua. Quanto à última, tem sido uma desgraça. A pior procura do que um coro por estas terras. Não consigo encontrar um curso. Estou numa lista interminável à espera que me dêem uma vaga. Tudo isto porque não sou considerada imigrante por estas bandas. Enfim... sou péssima para conseguir estudar sózinha e os livros que tenho são do tempo em que eu ainda usava fraldas, com uma linguagem já muito antiquada...Sem um curso de outra forma não consigo aprender a língua.Mas pronto, cá estou então para relatar o possível desta minha estada.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

God Jul!

Já ando a contar os dias para o meu regresso, não definitivo, a Portugal para passar este Natal com a famelga e aproveitar e estar com os amigos. Quase nada tenho eu a relatar a não ser o facto de estar quase sem dinheiro com as compras de Natal e com as contas da electricidade e a renda da casa. Já tenho tudo comprado só falat mesmo fazer as malas e planear a viagem. Por isso deixo esta foto como meu postal de Natal. Como se costuma dizer em Roma sê romano, na Suécia sê, portanto, sueca e aderi à tradição natalícia das luzinhas à janela.


God Jul!

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Resumo da semana: a precisar de caminha parte II

Esta tem sido uma semana bastante ocupada:


Na segunda-feira fui fazer bolinhos de Natal com uma das professoras de inglês que me convidou para fazer de pasteleira numa outra escola em Eskilstuna, juntamente com outras amigas dela que são também professoras. A massa para os bolos já estava feita e amassei apenas os bolos em forma de "ferradura" que foram prontamente para o forno. Acontece que acontece-me sempre alguma coisa quando estou dentro de uma escola fora de horas: a minha colega deixou os bolitos tempo demais no forno e claro que as "ferraduras"ficaram tostadinhas e prontas para serem pregadas no casco de qualquer cavalo. Mas isso não foi o pior. O detector de fumos começou a apitar e lá vieram os senhores bombeiros prontamente. Ficámos logo nervosas porque nestas situações a responsável pelo soar do alarme teria que pagar nada mais, nada menos do que 40000 coroas. Os senhores lá foram simpáticos e foram pagos com bolinhos caseiros.

Tomem lá uns bolinhos antes que se queimem:


















Esta semana foi também bastante movimentada, pois a escola recebeu de visita, também como parte de um programa comunitário que a Essie participa, um grupo de alunos italianos (18 rapazes e uma rapariga) e dois professores (Sofia e Gabrielle). É um grupo bastante animado e os rapazes mostraram sempre entusiasmo em relação às alunas suecas. Faziam logo uma festa, suspiravam como jovens apaixonados, e mandavam piropos. Como verdadeiros latinos, falavam alto e agitavam muito as mãos. Tem sido um prazer enorme ouvir italiano que foi sempre para mim a língua mais bonita ao ouvido. Depois tenho a vantagem de perceber a maior parte das coisas do que dizem - até os alunos começaram a ver que eu de vez em quando me ria com as asneiras que diziam - oopps que vergonha! Ela percebe! eh eh

Cá está o grupo fantástico de italianos, a cantarem uma música tradicional da sua terra - Cesane:




E durante esta semana lá tenho acompanhado os italianos por Eskilstuna. Na terça houve uma pequena festa e jantar organizados pelas professoras mais novas da escola para promover o contacto entre os italianos e os alunos que irão visitar Itália no próximo ano. Ontem fui ao edifício do "City Hall" onde se ouviu falar sobre a situação política e económica da cidade. Depois fui eu, mais o grupo de alunos, a Essie e um dos professores italianos jogar bowling. Ainda houve tempo para ir à escola onde se passava o "Open house" - a escola estava aberta até às oito da noite para que pais e alunos descobrissem o que se faz ao certo na escola.


Em relação ao meu trabalho tive várias apresentações sobre Portugal aos vários alunos: - a minha forma de concurso televisivo tem tido algum sucesso - já sabem o nome da montanha mais alta de Portugal, a capital, o fado, o total de pessoas que falam Português (pensavam antes que eram só portugueses e brasileiros). Um grupo de alunos de desporto por acaso surpreendeu-me. Depois de mostrar a imagem de Vasco da Gama e terem acertado o nome do senhor (as hipóteses eram fáceis), em tom de brincadeira perguntei eu - então quem foi o senhor Vasco da Gama? Um dos alunos prontamente apontou no mapa e fez o percurso a dedo de Portugal até à Índia que me deixou orgulhosa (em termos patrióticos) e realmente surpreendida.

Bom, para a semana já começam os preparativos de Natal e já só penso na minha visita a Portugal. Fico um pouco triste. Não por me ir embora, pois vou voltar daí a duas semanas, mas por sair sem ver esta época natalícia sem neve. O espírito geral entre colegas e alunos suecos é o mesmo - tristeza - Natal sem neve, não é Natal. Pois, eu vinda de Lisboa, já estou habituada e em tom de brincadeira até lhes digo que este Inverno em Eskilstuna, mais parece Inverno em Portugal. Assim que o avião levantar voo, quando sair da Suécia, a neve irá cair satisfeita. :)

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Ser sueco é...

1. Tirar os sapatos assim que entrar em casa - por isso, cuidado com o cheiro a cholé ou os buracos nas meias..
2. Enquanto se conversa, dizer constantemente "Ja" (pronuncia-se Ah) - Ah Ah Ah Ah e terminar com um Ah aspirado como se tivesse um pequeno ataque asmático ou susto.
3. Ser obcecado por velas - têm velinhas em cada canto da casa, adoram comer à luz das velas, principalmente nesta altura de época natalícia.
4. Fikar de manhã, fikar depois do almoço, fikar no meio da tarde. Buga Fikar para uma Fika?
5. Comer com as costas do garfo;
6. Misturar compota com arroz a batatas;
7. Pagar vários preços para um bilhete de cinema de acordo com o tamanho do filme. (entre 80 a 120 coroas...bolas!)
8. Ser muito paciente nas longas bichas do multibanco.
9. Convidar alguém para uma caçada de alce às 4 horas da manhã.
10. Portar-se bem durante o dia e portar-se mal numa festa, terminando com uma bebedeira crónica.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

The Love Boat la la la la



Pronto..mal entrei no navio chamado "Cinderella" fiquei com aquela cantiga antiga da série de TV que preenchia as tardes da minha infância. O navio é enorme com cerca de 11 andares, com spa, vários bares, uma discoteca e aquelas máquinas que vemos nos casinos onde as velhinhas gostam de perder tardes inteiras a meter as moedinhas. O melhor foi encontrar um supermercado com produtos "free tax".

Aqui têm um link com informacão sobre a Vicking lines - a companhia de navios/cruzeiro que fazem viagens pelo mar báltico - achei piada aos nomes dos navios - todos termiam em ella - Cinderella, Gabriella..já agora...Isabella :D e os preços são bastante acessíveis.

http://www.vikingline.fi/index.asp?lang=en


Quando chegámos já era de noite, por isso não deu para ver muito do arquipélago de Estocolmo a não ser luzes entre a escuridão. Por isso o resto da noite foi celebrada com muita dança - desta vez sim, diverti-me imenso com os professores do programa IT (éramos ao todo 13) sem bebedeiras exageradas e icêndios ou cabeças partidas, mas uma belíssima e comovente sessão de Karaoke e bailarico até às 2h da manhã. 4a feira foi mesmo dia para aproveitar a paisagem marítima. Depois do pequeno-almoço, enquanto que os restantes professores foram a uma conferência, eu aproveitei para dar uma volta pelo navio e tirar algumas fotos. Mas o balanço do navio fez-me ficar ainda mais sonolenta (só tinha dormido umas 4 horas) e fui para a minha cabine recuperar o sono perdido. Estava com a esperança de encontrar um milionário no navio, mas não tive essa sorte - só mesmo no barco do Amor. :)

O navio teve muito pouco tempo em terra - em Åland - uma ilha que pertence à Filândia, mas cujos habitantes falam maioritariamente o sueco. Por isso não saí do navio. Mas foi neste dia que pude desfrutar o belíssimo arquipélago de Estocolmo, com as suas mais de 24.000 ilhas por vezes ocupadas com casas pitorescas. Sem palavras. :)


















A cidade de Estocolmo ao longe.

Mais fotos de Eskistuna




Agora que consigo "postar" finalmente fotos, aqui vai mais uma série delas da pequena cidade de Eskilstuna :)

terça-feira, dezembro 05, 2006

Torshälla e Sta Lucia

No domingo passado fui a casa de uma das professoras de Inglês, Eva Lindberg. Ela vive numa pequena vila, Torshälla, bem perto do grande lago Mälarbaden. É uma zona bastante bonita, talvez considerada o Estoril de Eskilstuna, com casas isoladas em pequenas ilhas, campo de golf e um clube náutico. Fez-me lembrar um pouco os típicos suburbios dos states com casas grandes e relvado. Eva e o marido têm um "pequeno" barco, utilizado no Verão para passear pelo báltico. Rica vida!



A parte mais antiga da vila:

















É aqui onde eu moro. Costumo ir para a escola de barco a remos. eh eh





















O deus escandinavo da trovoada, Tor no meio do rio Eskil.

















Depois do longo passeio e do jantar fomos ao concerto de Sta Lucia, que é celebrado no dia 13 de Dezembro mas que foi antecipado. A actuação foi feita pela escola de Música de Eskilstuna e pelos alunos de várias escolas da vila. O espectáculo começou com a celebração à Santa Lucia, com crianças vestidas de branco, a segurarem velas, e a cantar cânticos dedicados à Santa.
Ainda ninguém me soube explicar como é que uma santa italiana veio parar aos confins da Escandinávia e veio a ter um siginificado tão especial nesta altura do ano. Há quem diga que de santa não tinha nada e que era uma bruxa com um pacto com o demónio. O que é certo, e nisso todos concordam, tudo o que traga luz à escuridão do Inverno sueco é sempre bem-vindo. E é a luz que é celebrada - a Santa surge até com uma coroa de velas na cabeça. Todos os anos e em todas as cidades ou vilas é eleita a "santa" para a celebração. Na escola onde estou a trabalhar já têm várias candidatas, para a eleição e, entretanto já foi eleita a de Eskilstuna.
Entre os jovens da escola estas celebrações passam um pouco ao lado -Santa Lucia é mais para as crianças - dizem muitos.

Depois da procissão de velas, houve um espectáculo de dança com o tema dos "Piratas das Caraíbas" - já um pouco fora do tema da Santa e com esqueletos e fantasmas à mistura.

Finalmente foi a actuação da convidada especial do espectáculo - Linda Bengtzing - uma cantora mais conhecida pela Eurovisão da canção - tentou duas vezes e não conseguiu ganhar. Como se sabe os suecos adoram esse estilo de música de Eurovisão. Pessoalmente acho uma seca. O espectáculo continuou com a estrela da noite e todas as crianças e jovens a cantarem canções de Natal - acho que foi um pouco de mais e já estava a ficar enjoada com tanta cantiga de centro comercial. No entanto, fiquei bem impressionada com a qualidade do espectáculo e há muitos jovens com talento em Ekilstuna. :)

sexta-feira, dezembro 01, 2006

calhava bem uma caminha...

É agora o que eu preciso depois desta semana bastante ocupada...

Apareceram dois alunos novos e interessados em aprender Português e tive que lhes dar uma aula resumida da matéria dada, para não andarem perdidos. Depois são as aulas para assistir. Fiz uma apresentação sobre Portugal a uns alunos - para a aula ser um pouco mais motivada comecei por fazer um concurso com eles e fazer perguntas de escolha múltipla - depois de ouvirem as respostas lá ficaram a saber que há muitos milhões de pessoas que falam português e que existe muito mais do que praia e sol nesse cantinho à beira mar plantado. Penso que gostaram. Segunda-feira vou fazer a mesma apresentação a outra turma.

Depois são os coros que andam um pouco agitados com o Natal à porta e as celebrações de Santa Lucia. Estou a gostar do contraste - às 4as feiras vou aos ensaios de um coro bastante jovem (idades entre os 19 e os 21 anos) - que cantam mesmo muito bem. O maestro é bastante animado e os ensaios têm uma grande variedade musical - desde música renascentista aos cantares animados de gospel.

O ensaio de quinta é com pessoas muito mais velhas que me olham com muita ternura por ser a mais novinha. Os cânticos são sobretudo em sueco (pensei que fosse muito complicado pronunciar as palavras, mas não é..) e um pouco mais tradicionais. Ri-me com o final de um tema que me fez lembrar o nosso amigo Lopes Graça - grande grito estridente para acordar a assistência. Mai nada! Acho que iriam gostar de cantar o "Acordai" ou o "Menino nas Palhas" :)

No próximo domingo vou a um concerto de Sta Lucia. Uma das professoras de inglês, Eva, convidou-me a passar o dia com ela e a família no local onde mora e depois ir ao concerto em que a filha participa.
Terça e quarta-feira os professores do programa IT (onde estou como penetra) vão a um cruzeiro para a Filândia. Claro que a penetra vai participar, mas dado ao que aconteceu na sexta-feira passada estou a torcer um pouco o nariz, até porque estar num navio no meio do mar é impossível fugir dos eventuais bêbados. lol Certamente vai ser outro momento interessante a relatar (com fotos direitinhas incuídas).

Bom, daqui a pouco tenho uma aula de Português com os alunos do Step2. Bom fim-de-semana!

quinta-feira, novembro 30, 2006

Fotos do meu pequeno apartment...

Aqui estão algumas das fotos do meu cantinho em Eskilstuna. Moro no último andar. Por isso é só fazer step para cima e para baixo. Esta é a entrada: A minha caminha e uma poltrona que serve de mesa de cabeceira:


A janela do quarto que dá bastante luz. Gosto muto de estar no cantinho a ler e a cuscar os vizinhos. ihihih
A cozinha com o equipamento todo:


A mesa da cozinha onde como e faço a maior parte do trabalho.

E pronto. :)

quarta-feira, novembro 29, 2006

O sueco em festa - o autêntico animal...

Ufa! Finalmente arranjei algum tempinho para escrever as últimas cenas da minha vida. Sexta- feira foi um dia... como dizer... bom... nem sei como começar...

Como já tinha dito foi o dia dedicado aos funcionários da escola em que participaram em diversas actividades e que culminava com um jantar e festarola. O que parecia ser um programa bastante original e divertido tornou-se em algo mesmo muito estranho. Pela primeira vez senti-me como uma observadora internacional, ou melhor como uma repórter de documentários para a National Geographic. Tema do documentário: O sueco em festa - o autêntico animal...

Bom é melhor começar pelo princípio - a caminhada - a minha primeira actividade do dia. Parecia ser engraçado fazer uma caminhada pela floresta, contemplar a natureza, respirar o ar puro, observar o verde das árvores, ouvir os barulhos dos passarinhos a chilrear. Essa é a minha definicão de caminhada. Ora bem, na definicão de um sueco - a caminhada deve ser certamente corre-o-quanto-antes. Éramos um pequeno grupo de quatro pessoas, duas das quais sabiam o caminho, mas que quando dei por ela desapareceram no meio do verde enquanto o diabo esfrega o olho. Fiquei eu e uma professora na conversa sem saber por onde íamos ou até com a ideia de que iríamos ficar naquela floresta às voltas até de madrugada. Mas nada de stress - fomos caminhando e conversando. A minha companheira contou-me a história da sua vida (antes tinha sido antropóloga e é agora professora de Matemática e de Sueco) e desabafou sobre as suas angústias. Não sei como fomos parar perto do LIDL e da minha casa. Mas pronto não nos perdemos totalmente e chegámos à escola.

Esta foi a única foto que consegui tirar do passeio:


2a actividade do dia: Square Dance - ao contrário do que pensava, a square dance é dançada em grupo. Cada qual tem o seu par mas depois andamos às voltinhas, para a esquerda e para a direita e para o centro, seguindo o nosso "instrutor" a cantarolar as ordens ao som da música dos states. Esta foi sem dúvida uma actividade divertida que me fez recordar a saudosa festa escocesa com os meus amigos MECianos. (agora não sei porquê ...não consigo meter as fotos...grrr)

aqui vai mais um link com o bailarico:

http://picasaweb.google.com/Zabelita/SquareDance?authkey=80lGIqEEk70

3o momento do dia: o jantar - depois de correr até casa, tomar um banho rápido, voltei para a escola para participar no tão aguardado jantar. A refeição foi especialmente confeccionada por um dos professores da escola que é um verdadeiro mestre da culinária. Todos os anos alguns professores inscrevem-se para ajudar na cozinha e servir os restantes convidados. É sempre um momento de bastante stress e o menú é sempre segredo até ao dia do jantar. Primeiro comi uma sopa de peixe que é só apanhado em rios - parece-se muito com camarão. Depois o prato principal foi rena (pobre do Pai Natal que ficou sem uma) com batatas e sementes de sésamo e finalmente a sobremesa - uma fatia de queijo com fruta e biscoitos de gengibre e para mim o melhor - um bolo de chocolate dinamarquês.

http://picasaweb.google.com/Zabelita/Jantar2411?authkey=C1HLy3UE3_0

Finalmente: o momento mais estranho da noite: a festa. O início até que foi engraçado - os participantes dividiram-se em quatro grupos e a cada pessoa foi colada um papel com um nome de uma pessoa famosa que tinha que adivinhar. Calhou-me uma vedeta internacional - a Julia Roberts e no meio de questões de sim ou não acabei por descobrir a resposta.

Depois comecei a aperceber-me que a muitas pessoas à minha volta já andavam com os copos logo no início da festa, incluindo o pai Natal.. Começou a música e tudo a ficar cada vez mais alegre. Os seucos adoram dançar danças de salão (ao qual sou uma naba) e música da Eurovisão! Aquilo tem um sucesso tremendo nas discotecas suecas!

Agora estão a imaginar: pessoal já a cair para o lado, a dançar com um acompanhante imaginário, e de repente começou um cartaz a pegar fogo. Felizmente ficou tudo controlado... pessoal com os copos, a dança continua...e de repente um bailarino ficou de tal forma entusiasmado que bateu com a cabeça na lareira e feriu o sobrolho - soube mais tarde que levou cerca de 13 pontos e que vai ficar com uma bela cicatriz.

http://picasaweb.google.com/Zabelita/Festa2411?authkey=Pg3lL7V5Mjw

Segunda-feira depois da ressaca os organizadores da festa levaram com o discurso dos reitores (são 3) e a medo lá me perguntavam opiniões da festa e eu lá respondia - foi interessante a nível cultural e antropológico, sem dúvida. "As festas cá da escola não costumam ser assim..." desculpavam uns, "este ano...é que...." bom... sem palavras.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Actualização

E bom, esta semana está quase a terminar e vai fazer um mês que estou por cá em Eskilstuna e três semanas que comecei a trabalhar nesta escola. Tenho andado agora um pouco ocupada como assistente de Inglês e com as aulas de Português, e pela primeira vez estou a fazer algo com muito gosto.

O trabalho de professor nesta escola, como já anteriormente referi, é bastante flexível - não dependem de nenhum programa e fazem o plano das suas aulas de acordo com as necessidades dos alunos. Podem usar e abusar da sua imaginação para fazer aulas diferentes, mais dinâmicas, sem a preocupação de cumprir programas.
E depois apareço eu para ajudar os alunos a falarem inglês - não têm outra hipótese, pois o meu sueco é ainda muito limitado. Os professores agradecem a minha presença para obrigarem os alunos a falarem inglês - muitos deles são bastante tímidos e quando pergunto se precisam de ajuda, dizem logo que não para não ter que falar. Mas aos poucos têm começado a se habituarem à minha presença e já começam a falar mais comigo. Bom sinal :)

Amanhã os professores e funcionários vão "expulsar" os alunos da escola e vão fazer uma festa. Durante a tarde vai haver uma série de actividades e à noite festa de arromba com música e bailarico.
Inscrevi-me em duas actividades interessantes: uma caminhada pela floresta, mesmo ao lado da escola - para matar saudades das caminhadas que fazia em Portugal - e um workshop de uma dança muito popular nos "states" - "square dance" en que os cowboys e as cowgirls fazem uns passos para a direita e para a esquerda, para a frente e para trás - já me estou a ver a trocar-me toda e a pisar o pé de alguém. Vai ser certamente divertido e vou aproveitar para tirar muitas fotografias.

Assunto resolvido...

..Posso dividir os dois amores - um para quarta, outro para quinta- feira :D eheh

terça-feira, novembro 21, 2006

À procura de um coro - parte 2

Finalmente ontem consegui encontrar-me com o líder do coro. O senhor ficou entusiasmado e com a curiosidade cultural de conhecer um pouco mais sobre a música portuguesa, por isso, fui aceite. Nem me pediu para cantar, nem nada e até disse que seria possível eu participar igualmente nos concertos.

Agora surgiu-me um problema: para além deste coro, encontrei um outro, cujos ensaios são no mesmo dia, na mesma hora e acho que no mesmo local que o outro. Pronto, surgiu-me uma dúvida moral em ter que escolher apenas um... (normalmente quando isto me acontece surge-me a música dos Dois Amores do Marco Paulo... maluquices...)

Caso de Polícia

Este domingo algo de muito curioso aconteceu com o meu vizinho do lado. Acordei de manhã com algumas vozes e eu tuga cusca como sou espreitei pelo buraquinho da porta que serve mesmo para os cuscas saberem o que se passa no outro lado de lá. Algo de curioso detectei - uns homens de farda da polícia a fazer algo com a porta do vizinho e a conversarem descontraidamente. Fiquei um pouco decepcionada, pois esperava ver uma cena de Reality TV que aparece nos EUA com os polícias a entrarem em casa e dizer a palavra "congela!" em tom autoritário. Nada se passou. Quando saí de casa, reparei que a porta estava selada com fitas e uma mensagem em sueco que não consegui perceber. Várias são as hipóteses, mas acho que vou para a mais simples de todas: o senhor do lado não pagou a renda e depois de vários avisos, foi expulso. Só sei que no outro dia o aviso entretanto desapareceu - bolas! Eu era para lhe tirar uma foto! - e não tenho sentido a presença do vizinho...

quarta-feira, novembro 15, 2006

Heróis do mar, Nobre povo...

E, foi ontem, que com orgulho lusitano apresentei o que o nosso país tem de melhor em meia hora... foi pouco tempo, mas deu para abrilhantar um bocado o que Portugal tem de bom. Primeiro apresentei umas imagens das paisagens e monumentos mais enigmáticos de Portugal, reafirmando que o país apesar de ser pequeno, tem uma grande variedade paisagística - sim, temos neve e o país não é só Algarve, mas as montanhas no norte e beiras, o vale do Douro, património da Humanidade, as planícies vastas do Alentejo, a Lisboa das sete colinas, a Sintra romântica, o Porto e o "binho"...

Depois apresentei alguns símbolos de Portugal relacionados com a nossa história e a nossa cultura - a mais popular como a gastronomia - o vinho do Porto e o bacalhau; o galo de Barcelos, os Descobrimentos - a criação do mito de Sebastianismo - aquele esperar eterno por algo, que caracteriza tanto o sentimento da Saudade - e com a Saudade, temos o fado e foi a deixa para escutarem um pouco "os verdes anos" de Carlos Paredes.

A seguir, falei um pouco sobre Literatura. Escolhi apenas Camões e Os Lusíadas, José Saramago, vencedor do prémio Nobel da Literatura, recebido em Estocolmo, António Lobo Antunes e por fim, Fernando Pessoa. Ufa, acabou. Eu sei, faltava muitas mais coisas para dizer, mas o que interessa é que eles gostaram e ficaram a saber mais alguma coisa sobre o nosso país. Claro que no fim de ter mostrado fado e saudade afirmei que os portugueses não são assim tão tristes...temos uma triste vida, é verdade, mas sempre com um sorriso. :)

E nunca mais arranjo um coro...

Ó tristeza a minha! Ó desgraça! Estou num país em que existe um coro em cada esquina e está a ser complicado arranjar um. Eu Quero Cantar!! ;(

Arranjei um contacto de um maestro de um coro, só que está a ser complicado combinar um encontro com o senhor. Amanhã esperemos que não haja nenhum contratempo e que consiga finalmente falar com ele, fazer um choradinho que a minha vida de coralista faz-me falta. Estar aqui na escola é muito bom, mas sinto falta de fugir um pouco à rotina e continuar com as minhas cantorias. Nem em casa sinto que posso cantar à vontade, com a minha voz de soprano, com receio que os vizinhos façam alguma queixa - ainda no outro dia bateu-me à porta um vizinho do segundo andar a queixar-se do meu andar que tremia um pouco a casa. Bem, o que vale o rapaz foi bem educado e fez antes um discurso de boas vindas... pronto desculpe, sim... não estou habituada a viver num apartamento de paredes e chão sensíveis...

Bem - já fugi ao assunto. Tenho tido a ajuda da minha orientadora e do professor de música da escola neste demanda de um santo coro. Até o prof, Andreas de seu nome, convidou-me para assistir aos ensaios do seu pequeno coro, só de meninas. Gostei de ouvi-las - as contraltos até cantavam bem, as sopraninhas é que precisavam de um pouco de atitude para as notas agudas. Mas já tenho partituras suecas - músicas tradicionais dedicadas ao Natal e Sta Lucia, bem bonitas. Bom, não sei se vou poder continuar a assistir, pois apareci e desapareci num ápice, como uma flecha a correr para a aula de Português e só fiquei por lá meia hora. Mas já deu para matar saudades...

Ufa

Safa! Finalmente arranjei uma hora para poder contar o que me tem acontecido nestes últimos tempos.

Já iniciei o meu trabalho e finalmente tenho o meu horário definido. As aulas de Português começaram logo no início da semana passada com uma turma de sete alunas (step1) e outra de (step2) com dois alunos. Os dois rapazes já sabem Português. Um deles, Philip Amir, é filho de mãe portuguesa e pai iraniano e utiliza como idioma de comunicação em casa a nossa língua. O outro rapaz, Martin, tem uma ligação com Portugal bastante curiosa. Quando tinha 11 anos a mãe decidiu partir de carro para outras terras com ele, chegando aos Algarves onde permaneceram durante dois anos. Hoje o Martin vai todos os anos a Portugal, durante o Verão, visitar os amigos.

Tenho mais receios com a turma de step 1, pois algumas alunas não me parecem muito aplicadas e como a nossa língua é um pouco traiçoeira tenho alguma dificuldade em utilizar um método mais simples para explicar a gramática ou até mesmo a pronúncia - por acaso neste departamento elas até se têm safado. Vamos lá ver no que isto vai dar.

Também já fui assistir às primeiras aulas de Inglês. Posso dizer que o que há de comum entre as escolas portuguesas e as escolas suecas, são os alunos. Há de tudo - desde os mais apáticos, aos mais conversadores, os caladinhos e trabalhadores, os preguiçosos e engraçadinhos. Mas o que há de diferente é o facto de terem a liberdade de fazerem o que querem - mascar pastilha, ouvir música enquanto trabalham, fazer desenhos, sair da sala à vontade para ir à casa de banho sem pedir autorização e o professor não diz nada. Ao menos, mal ou bem vão trabalhando e têm alguma responsabilidade. São também uns felizardos, pois o Estado dá-lhes tudo - os livros, as refeições, os materiais da escola, computadores à sua disposição... tudo que um pai tuga tem que dispôr do seu orçamento a bem para os seus tuguinhas. Mas o facto de terem tudo, causa alguns problemas de desinteresse por parte de alguns, que não se esforçam muito para trabalhar. O mesmo acontece aos meninos tuguinhas mimados do nosso país, que têm tudo graças à genorisidade dos seus pais. Penso que é o mal da sociedade do mundo Ocidental.

terça-feira, novembro 07, 2006

Fotos campestres

Mais um link com fotos que tirei à casa da minha orientadora e redondesas e cadela incluída. Não é um mimo?

http://picasaweb.google.com/Zabelita/ImagensCampestres?authkey=F4JET8cSTKAwILk_nl7td4qc9Pc

A Escola do Futuro

Ontem fui fazer uma visita completa à escola. Anteriormente só tinha conhecido parte da escola e já me sentia um pouco perdida, mas agora...preciso de um mapa para me orientar...Esta escola é uma cidade! Nem a minha faculdade tem estas condições. Nem de longe, nem de perto.

A Rekarnegymnasiet é uma escola modelo preparada para o futuro. Foi totalmente remodelada, graças ao dinheiro dado pelo generoso governo, mas não é uma escola com um sistema igual a de todas as escolas na Suécia. Por isso, não posso dizer que esta escola é igual a tantas outras espalhadas pelo país.

Basicamente a escola divide-se em vários programas : Construction, Electricity, Vehicle, Business and Administration, Social Science Programmes, Specially Designed Programme, Information Technology, Sports and Health. Fiquei literalmente de boca aberta com a forma como a escola está dividida, de acordo com os programas. Os da Construção têm o seu próprio espaço para construírem tudo o que seja ligado à carpintaria - ou seja, constróiem e desmontam pequenas casas. Os da electricidade têm também a sua própria oficina com materiais eléctricos, os de mecânica têm carros para treinar e espamo dos espamos um camião!

Os programas menos técnicos têm também o seu próprio espaço, com computadores e salas de estudo à disposição. Tudo num clima bastante relax, onde professores e alunos coexistem pacificamente no mesmo habitat. Os professores têm o seu próprio gabinete - eu neste momento estou a escrever na minha secretária com um computador só para mim. Isto é que é vida! Um sonho para qualquer professor! E melhor ainda - se o professor precisa de descanso depois de muitas horas de trabalho, há um pequeno quarto com caminha e mesa de cabeceira para o descanso merecido. lol Numa escola normal portuguesa, um quarto desses seria muito concorrido...


Cada professor faz parte de cada um dos programas - a minha orientadora é responsável pelo programa de IT - Information Technology e responsabiliza-se pela disciplina de Inglês relacionando-a também com essa área e que está de acordo com o interesse dos alunos. O mesmo se passa na escolha do programa e do manual utilizado, onde o professor tem uma maior manobra de escolha.


A escola e alguns professores preparam-se para o futuro, pois muito do seu trabalho depende das novas tecnologias. Muitos dos computadores da escola e fora dela, que os alunos utilizam estão ligados a um sistema de intranet. Ou seja, todas as infos que os profs querem transmitir aos alunos é feito por computador. Um simples TPC pode ser consultado pelo aluno para saber o que fazer durante a semana ou o que ler para a próxima aula. Por isso, não há escapatória possível. Contudo, nem todos os profs aderiram a este sistema. Já é no entanto um começo. Ainda longínquo para qualquer escola em Portugal.

Ontem fui assistir a uma aula da minha orientadora que tinha apenas umas simples recomendações a dar. Basicamente tinham que fazer uma leitura e depois um trabalho escrito. Apesar da balbúrdia na sala dos computadores, os alunos trabalhavam, pois sabem que têm um prazo a cumprir. Vejo que os alunos, têm a total liberdade de seguirem o seu próprio ritmo de trabalho e de programarem o seu estudo. Por isso, cabe ao aluno maior autonomia e responsabilidade pelos seus resultados. O professor tem apenas o papel de orientador.

Certamente irei comentar mais acerca do que irei ver nesta escola. Como já referi, nem todas as escolas na Suécia funcionam assim e muito depende dos directores das escolas, em como gerem o dinheiro que recebem do estado e também dos professores que podem ser mais conservadores que outros.

Uma escola igual a esta, em Portugal, só em 2050...

segunda-feira, novembro 06, 2006

TV Sueca

Estes dias de descanso e de algum tédio foram ocupados por algumas horas de TV. Os canais do estado não têm publicidade e apresentam, na maioria das vezes, programas de informação, talk shows e documentários, filmes até recentes, e algumas das minhas séries favoritas (já estão a dar os novos episódios do Lost e do Dr House)
Mas também há a TVI cá do sítio - um pouco mais moderada, com concursos televisivos, os Ídolos, e alguns programas da Reality TV. Enquanto que em Portugal existe um programa com mulheres à quererem um milionário falso, cá há um grupo de mulheres a atirarem-se a um agricultor. Agora se é falso ou não, não sei. Sim, leram bem - um agricultor, alto e robusto que não tem medo de tirar ervas daninhas...Será que é o homem de sonho de qualquer mulher sueca? lol

quinta-feira, novembro 02, 2006

Um pouco de neve

Ontem, o mês de Novembro começou com neve. Estava eu na minha caminha de manhã, quando mal abri os olhos, reparei nos primeiros flocos de neve, acompanhados por um vento forte. Parecia uma criança a pular da cama e a correr em direcção da janela, com a máquina fotográfica na mão para tirar fotos ao fino tapete branco que via no jardim ao pé da casa. Pronto, nunca vi neve a cair na minha vida (tirando aquele pequeno momento no ano passado em Azeitão). Têm que me desculpar...


Estes dias têm sido bastante tranquilos, sem muito para fazer, pois são férias na escola. Por isso, tenho andado a aproveitar para passear um pouco, para conhecer a zona. Encontrei perto de onde moro uma pequena biblioteca onde posso usar Internet. Por isso ainda vou poder estar a par de e-mails e notícias.
Bom, daqui a pouco já fecha, por isso tenho que parar de escrever...hej då!

terça-feira, outubro 31, 2006

Casinha nova, trabalho novo

Finalmente ontem mudei-me para o apartamento novo - pequeno, mas maneirinho, com bastante espaço para esticar os braços. A escola ofereceu-me o mais importante - louça, roupa de cama, (vim eu carregada de lençois de Portugal sem necessidade nenhuma), mobília (cama, mesa de cozinha, cadeira, várias cómodas que ficaram com gavetas ainda por preencher) - até enfeitaram-me as janelas com flores e colocaram na parede um quadro pequeno e simpático e um relógio. Tenho bastante espaço para arrumações o que é óptimo para não deixar tudo espalhado e desarrumado. Tornou-se numa casa bastante acolhedora e vai ser o meu lar durante estes seis meses. Quando puder coloco algumas fotografias.

Hoje fui a uma reunião de professores de inglês ao qual tive que me apresentar e vender a "minha assistência" e as minhas aulas de português a quem tivesse interessado. Todos querem a minha presença nas suas aulas, o que vai ser um tanto complicado para definir o meu horário de trabalho. Vou ter 6 alunos, incluindo uma professora que querem ter aulas de Português. Logo veremos. A escola entrou agora num período de férias, por isso vou ter tempo para planear.
Na segunda semana vou fazer uma apresentação sobre o meu país aos professores de Inglês, onde posso falar sobre o que me apetecer. As minhas ideias estão um pouco baralhadas, vou ter que definí-las bem, para ter algum interesse... preciso de ideias...

domingo, outubro 29, 2006

Let´s sing!!

O meu 4o dia não terminou com o meu regresso em Eskilstuna. Estava já de rastos, mas ainda tive que me deslocar para a escola, onde havia uma festa entre alunos noruegueses e suecos. Claro, que me perdi, pois sabia muito pouco do caminho da estação até à escola. Cansada, já com algum frio e um pouco frustrada, desisti de andar às voltas e telefonei para a minha orientadora. Um dos professores foi me buscar à estação, muito sorridente e que se riu mal me viu com ar de desgraçadinha, agarrada ao saco cama.
Assim fui ter à escola, participar na festa, comer as famosas almôndegas suecas e ser entrevistada pelo jornal local onde fizeram uma pequena referência sobre a minha pessoa. (ui estou importante)

Uma das coisas que os suecos adoram fazer é cantar. E na festa, como em todos os jantares que organizam, colocaram música e todos se levantaram para cantar algumas canções suecas e em inglês (quem não se lembra do "we are the world"?), a meio do jantar de almôndegas. Uma das professoras explicou-me que é muito comum no verão fazer-se um festival em Estocolmo, onde pessoas de todas as idades se reunem para cantar. É um evento de tal forma importante que é transmitido pela televisão.

Eles ainda são piores que o meu saudoso MEC quando se junta paras as jantaradas finais de concertos...

A festa terminou depois de um jogo entre os alunos, e depois de arrumar o alarme da escola tocou sem se saber o porquê. Foi divertido ver todas as pessoas apressadas, buscarem os seus casaco e a correr. Pior ficaram uns alunos que estavam a tomar duche e tiveram que sair à pressa de calções. lol
Os bombeiros e a polícia chegaram para ver o que se passava, mas não detectaram o problema. Será que foi por causa da cantoria? eh eh

Fotos de Estocolmo

Estou a ter algumas dificuldades em colocá-las no blog, por isso coloco mais um link com as imagens do encontro com os outros assistentes de língua e da cidade. Tenho pouco a comentar acerca de Estocolmo, pois fiz apenas uma caminhada rápida. Espero poder lá voltar para visitar os museus e ver o local com mais calma. Fiquei fascinada com as cores da cidade. As últimas foto são de uma torre iluminada pelo próprio sol. Fantástico! :) Mais uma vez têm que fazer um exercício no pescoço...

http://picasaweb.google.com/Zabelita/MeetingStockholm?authkey=-MMIdWlWyE0lp7dGwKKzs02LDu0

sábado, outubro 28, 2006

Em Estocolmo

O terceiro dia foi de visita a Estcolomo e de ir ao encontro de outros assistentes de língua que vivem na Suécia. A reunião teve lugar na Agência Nacional, num local à beira rio, perto da estação. Mas como sou uma desnorteada por natureza, perdi-me e desorientei-me. Tenho uma péssima relação com mapas e acabei por perguntar às pessoas que passavam por mim. Cheguei ao local toda apressada e cheia de calor, mas acalmei-me quando me ofereceram uma etiqueta com o meu nome e a bandeira nacional. Coloquei-a cheia de orgulho no peito e cumprimentei o meu colega luso, Ricardo, que tinha chegado à cidade um dia antes, juntamente com umas colegas alemãs, muito simpáticas. A reunião foi bastante interessante, porque acabei por entrar em contacto com pessoas de diversas nacionalidades. Estava a Alemanha em peso (parecia uma praga eh eh), França, Polónia, Itália, Grécia, Luxemburgo, etc...
Foi engraçado ouvir as experiências dos meus colegas, que ja estão há mais tempo do que eu. A minha pessoa ficou calada a ouvir, com o sorriso metálico habitual e com a desculpa de ter chegado apenas há dois dias.

Depois do encontro acabámos por se juntar um pequeno grupo de forma a que todos fossem acompanhados até às respectivas pousadas. Tive a protecção do meu colega tuga, de uma inglesa, de uma alemã e de um francês até à minha luxuosa pousada, paga pela escola. Fiquei num quarto só para mim, bastante confortável. O pior é que não fiquei no mesmo que muitos colegas meus e até senti-me mal por terem pago bilhete de metro tantas vezes por me acompanharem.

Depois de muitas voltas, ao frio e à chuva, fomos todos jantar num restaurante italiano. Reparei que havia muitos desses restaurantes por lá. Mais tarde nos juntámos com o resto do grupo num bar, onde se passaram boas horas de amena cavaqueira. Ficámos a conhecer melhor o assistente mais corajoso, pois ficou colocado em Boden, bem perto do círculo polar ártico. As histórias dele eram bem divertidas, com ursos, piadas sobre renas e noites escuras e cheias de neve. Para ele, o tempo em Estocolomo era verão. Acredito. :)
Bom, acabei por me despedir dos meus colegas, pois o cansaço já era muito. Dormi mesmo muito bem, a ouvir a chuva cair.

No outro dia, juntei-me com os resto dos colegas ao pé do palácio real, para uma visita guiada. Curiosamente a guia, para além de inglês, sabia falar português, pois viveu durante muitos anos em Lisboa. Eu e o Ricardo ficámos logo todos contentes (acontece a qualquer tuga) e a guia, informou-nos logo da existência de um clube português em Estocolmo. Depois de contactar a pessoa responsável por esse clube, ficámos um pouco desiludidos, pois só abria no sábado. Decidimos, então, encontrar um café espanhol - isto já foi uma traição aos nossos princípios lusitanos - mas acabámos por não encontrá-lo. Os nossos objectivos de encontrar um local que se parecesse com o nosso lar tornou-se um pouco frustrante. Sobrevivemos ao frio, com um passeio pela zona, vimos um cruzeiro gigante a passear pelas águas e que parecia chocar contra alguma ilhota - curiosamente, mais tarde, acabei por descobrir que vou fazer um passeio naquele barco em Dezembro, num cruzeiro à Filândia. Pronto, há quem faça para as Caraíbas, eu vou fazer um cruzeiro a uma ilha que pertence à Filândia. Isto é que é qualidade de vida!

Adiante - depois de muito andar, decidimos encontrar um café para "Fikar" no quentinho e descansar os pézinhos. Acabámos por encontrar uma das nossas colegas da Estónia, mas que tem nacionalidade francesa - Svetlana. Fomos então a um cafézinho simpático, onde se ouvia música de Jack Johnson - muito relax.
Despedi-me dos meus colegas, com promessas de futuras visitas e futuros passeios. E segui o meu caminho para Eskilstuna de combóio. Até breve!

Segundo dia

O meu segundo dia começou logo às 7h30 da matina - também cansada como estava fui logo para a cama às 22horas da noite. Lá diz o ditado : em Roma, sê romano. Por cá recorrem mesmo à máxima de acordar cedo. São agora 17h16 da tarde e já anoitece - a mim parece-me que são umas 19h. Vai ser estranho adaptar-me a este horário. Mas também já estava preparada psicologicamente para as duas coisas piores: frio e dias curtos.
Ora bem - o segundo dia foi logo para visitar a escola. Achei-a um pouco feia por fora, um tanto parecida com um complexo fabril ou um edifício futurista. Conheci alguns futuros colegas de trabalho, numa sala ampla e simpática onde funcionários e professores se misturavam, coisa que não acontece normalmente nas escolas portuguesas. Lá falei com eles um pouco e ofereceram-se para fazer uma visita guiada à escola. A escola tem um sistema de segurança muito apertado. Fizeram-me logo um cartão electrónico, até tiraram-me uma foto que ficou logo no cartão. A minha linda cara de susto ficou tão bem... esse cartão serve de chave para entrar na escola. Ainda recebi de presente um molho de chaves que me foram indicando para que portas abriam. Aquela informação toda entrou-me num ouvido a saiu por outro. Só mesmo quando chegar a confudir-me toda é que aprenderei alguma coisa.
Depois de almoçar com alguns professores - incluindo uma professora norueguesa que está de visita alguns dias com os alunos e como parte do programa Comenius - fui visitar a vila de Eskilstuna, tendo como guia uma italiana, que casou-se com um sueco e estabeleceu-se na Suécia. Sem dúvida uma grande guia :) levou-me a conhecer os pontos turísticos da vila : o grande parque, uma "aldeia" de casinhas pequenas onde moraram ferreiros vindos da Letónia. As casas são agora pequenas lojas de artesanato.
Fui conhecer também as ruas mais comercias da zona, com centros comerciais, lojas de roupa (onde certamente vou encontrar o meu casaco de Inverno) e lojas mais tradicionais, incluindo uma que era só de guloseimas e gomas (paraíso para a minha amiga Vanessa eh eh).

Eu estava apenas há dois dias na Suécia e o meu espírito de Tuga veio ao de cima quando, curiosamente reconheci um autocolante com a imagem do jogador da nossa selecção - o Deco escarrapachado, coladinho num sinal de trânsito!! Claro, não resisti - tirei logo a foto, para mais tarde recordar. :)

Eis as fotos de Eskilstuna. Desculpem por terem que deslocar o pescoço para vê-las, mas não tive paciência de as colocar direitas. :)

http://picasaweb.google.com/Zabelita/Eskilstuna?authkey=Do0ufu7Pfe3TqrsI717FB_7FCMs

Já cá estou - relato da viagem

Sim. Cá estou. E este já é o meu 5o dia na Suécia e ando de tal forma a ver tanta coisa e a receber tanta informação que nem sei o que narrar primeiro. Começo pela viagem:
Saí do meu país com o tempo cinzento e algum calor abafado. Tempo horrível para os meus problemas de rinite. Talvez por andar tão drogada com o sono e com os comprimidos, senti-me sonolenta, e completamente insensível ao que se passava à minha volta. Despedi-me dos meus pais com um grande abraço, já cheia de saudades e entrei confiante a caminho da minha partida. Gostei da viagem. Vôo directo até Estocolmo. O avião ia carregadinho de suecos- bastante interessantes a nível visual (desculpem meninas, dava um pouco nas vistas começar a tirar fotos num autocarro apertado)mas não deu para falar com ninguém, pois fiquei sózinha. Eu, provavelmente era a única Tuga passageira, tirando os assistentes de bordo e os pilotos. ( voei pela TAP)
A viagem foi tranquila. De vez em quando dava por mim de boca aberta a dormir, pois o meu nariz estava completamente tapado.
Acho que só acreditei que estava a chegar a Estocolmo, quando o avião começou a descer e consegui espreitar entre as nuvens vários buracos de água, e árvores de vários tons. Espectáculo!
Assim cheguei ao aeroporto - notei logo uma grande diferença, um silêncio estranho - ou talvez andava com os ouvidos de tal forma entupidos que quase não ouvia nada. Fui buscar a minha mala e andei de tal forma desnorteada, que fiquei com algumas dificuldades em reconhecê-la. Consegui abrir o cadeado e ainda fiquei alguns segundos a olhar para mala, para ver se reconhecia as minhas coisas, com medo que algum matulão sueco fosse a correr atrás de mim e acusar-me de roubo. Mas não. Olhei para todos os lados, reconheci a minha roupa e lá empurrei a minha mala a todo o custo com o desejo do avião ter ido parar a Eskilstuna e não a Estocolmo. A viagem não tinha terminado por aqui. Primeiro tive que apanhar um autocarro que ia para a estação de comboios - a Central Station de Estocolmo. Mas antes fui comprar o bilhete e apanhei o meu primeiro susto. Saco eu confiante da carteira uma nota de 100 coroas e o senhor que me atendeu diz num sotaque muito britânico (é impressionante ouvir tantos suecos a falar tão bem inglês) - This note is invalid! - inválida? Como assim? Querem ver que me deram em Portugal, notas erradas? Coroas dinamarquesas? Ai! Já com os nervos à flor da pele lá consigo ver que as outras são notas válidas e que a outra pode ser facilmente trocada no banco. Ufa! Ao menos isso.
Bom, reposto os susto, lá vou eu a empurrar a banheira de 4 rodas e apanhar o autocarro, estacionado na paragem número 11. Uma rapariga loira ajudou-me logo a transportar a mala para dentro do bus.. coitada.. bem que bufava por todos os lados. O motorista era um senhor indiano, que muito simpático, deu-me logo o conselho de levar duas malas em vez de uma (para além da mochila e da outra mala mais pequena que levava), pois assim equilibraria mais o peso e não teria nenhuma lesão na coluna. Obrigada pela preocupação senhor motorista. :)
Cheguei então à estação de comboios rodando a banheira, para cá e para lá, descer no elevador para comprar o bilhete, subir para apanhar o comboio e as pessoas muito simpáticas sempre disponíveis a ajudar-me e a dar indicações, menos a ajudar a carregar a mala. Pronto, também não se pode exigir muito mais, mas aquela mala, causou alguma surpresa e os suecos sorriam ao ver a tuga, carregada, com a banheira a quatro rodas, uma mochila e outra mala e nada mais.
Apanhei bem a hora de ponta, com pessoas apressadas de um lado para o outro e os comboios cheios de gente. Consegui um lugar e apesar de cansada, tomei a atenção acerca do que se passava à minha volta. Primeiro o som da língua estranha que falavam, que era até bastante agradável. Tem uma certa musicalidade e lá reconhecia pelo meio o "ja" e "nej" (sim e não) "tack" e "hej" (obrigada e olá) e pouco mais.
Gostei de ver algo que não se vê em Portugal: um homem de negócios, de fato e gravata, a comer despreocupado uma banana e a ler o jornal Desde quando é que se vê um tuga de fato e gravata a comer em transportes públicos! Somos mesmo muito vaidosos.Vi sair também muitas pessoas do comboio e em vez de irem ter ao seu carrinho, iam buscar a sua bicicleta. Tuga vai mesmo de carro.
Por fim, cheguei a Eskilstuna. Essie Lindberg lá estava á minha espera, deu-me um abraço (eu já estava treinada em não dar beijos, pois eles são mais de abraços.) e com andar apressado empresta-me o guarda-chuva. Depois de ir buscar umas alunas norueguesas que anda a tomar conta durante esta semana, lá fomos de carro para a casa dela. A viagem foi curta, chuvosa e escura e o carro andava muito devagarinho, porque podia aparecer de repente um alce na estrada. Um alce! Imaginem!
Quando cheguei a casa pensei só numa única palavra: Finalmente! e senti-me em casa, com a simpatia do casal Lindberg a comidinha caseira -guizado de alce com batatinhas, ervilhas . É o que vale não ser esquisita. Como de tudo! E a minha mãezinha escusa-se de se preocupar: os suecos só comem: Pequeno almoço farto, pausa para "fika", almoço, pausa para "fika" e jantar. É claro que participo de bom grado a isso tudo. :)
Finalmente cama - e depois um dia passado a conhecer Eskilstuna.

segunda-feira, outubro 23, 2006

constipada antes da neve...

Parece praga! Não paro de espirrar, estou com o nariz congestionado e ando já com tosse. Se já estou assim antes do frio, como serei daqui por uns meses a apanhar -20 graus. Ai a minha vida!

Tack

A primeira palavra que aprendi em sueco, foi esta. Quer dizer apenas "obrigada/o". E é esta simples palavra que dedico aos meus amigos e família - obrigada pela amizade que têm por mim, obrigada pelos telefonemas antes da partida, das mensagens e desejos de boa viagem, obrigada pela serenata do "Acordai", obrigada pelos jantares de despedida, obrigada por tudo. :)

sexta-feira, outubro 20, 2006

Já a fazer as malas...

Como vou estar em Sesimbra no fim-de-semana, já ando a despachar as malas. Não gosto, não tenho talento nenhum, pois não tenho nenhum sentido prático. Sou muito agarradas às coisas, e depois penso que terei saudades de uma determinada camisola que gosto, de um casaco que quase já faz parte de mim, pois uso-o sempre nos dias de inverno. E os livros e os cds que não consigo passar sem eles... Ando agora a fazer uma selecção de músicas favoritas - o pior, lá está, coloco um valor sentimental em cada uma delas e acabo por colocar quase tudo. Felizmente e em boa hora descobri que tenho um programa para gravar cds fenomenal em que se coloca umas 100 músicas no mesmo cd. É daquelas coisas. Pensava que não tinha e de repente ao olhar para o Ambiente de Trabalho descobri o ícon com o programa milagroso. Fiquei de tal forma contente que até parecia que tinha descoberto um pote com moedas de ouro, escondido no fim do arco-íris (esta agora teve bonita...).
Roupa, cds, livros, materiais, máquina fotográfica, telemóvel, cabos para essas coisas todas, albúm de fotografias, cafeteira, caderno, estojo...espera...cafeteira? Li bem? Esta é provavelmente a reacção normal do leitor deste blog.. cafeteira? está miúda passa-se ou quê?? Oh pá... não consigo passar sem o sabor, o cheiro inconfundível do nosso cafézinho... e azeite..mas pronto não vou carregada com garrafas de azeite! Podem se rebentar pelo caminho e depois ficava com a tralha toda oleada! Não seria nada bonito... Agora uma cafeteira pequenina e maneirinha, não pesa quase nada. Descansem - vai na mala grande, assim não corro o risco de ainda ser presa por posse de um objecto de metal estranho e eu ainda aparecer nas notícias da TVI e na capa dos jornais sensacionalistas: portuguesa acusada de atentado no aeroporto de Arlanda: arma utilizada: uma cafeteira. E depois apareço eu com voz distorcida e esganiçada a chorar - para oferecer mais autenticidade - desesperada a dizer que apenas quer matar saudades do café português. E com isto, os suecos, curiosos, querem saber o porquê desta minha paixão pelo produto lusitano, e depois de eu sair da prisão e verem que afinal não sou nenhuma ameaça à sociedade, monto um negócio de cafés em Eskilstuna. Pronto, lá estou eu com os meus desvaneios. É o que acontece quando faço malas.
Bem vou verificar a minha listinha, e ver o que falta. Tenham uma boa tarde, de preferência bem descansada a pensar já no fim-de-semana sem a preocupação de meter roupa e objectos estranhos em malas camião tir. Ai vida!

terça-feira, outubro 17, 2006

Última actualização

Faltam 7 dias... acho que já estou a cair na realidade...
*momento de reflexão*

AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

domingo, outubro 08, 2006

Frase do dia...

Já que faltam quase 15 dias para a minha partida, melhor pensar nesta frase da autoria de uma amiga minha, para ver se esta coisa chata de saudades da família e amigos, antes de ir, me passa:

A nostalgia serve para poetas tuberculosos.


Não sei porquê, mas hoje ando a ter uma ligeira tosse...

domingo, outubro 01, 2006

Outubro - mês das despedidas

Ai! Chegámos ao mês de Outubro e aquela comixão incómoda no estômago aperta. Maldita ansiedade! ( pronto, volto a repetir-me...)
Agora que chegou o mês do dia D, D de Destino Suécia, a minha agenda tornou-se bastante ocupada, com jantares de despedida marcados. Pronto, vou só ausentar-me durante 6 meses, mas arranja-se sempre pretexto para festevidades de um até já, ou até para o ano. A minha vida de amigos e conhecidos divide-se em 3, neste momento. Um pouco complicado juntá-los todos no mesmo dia. Por isso, decidi dividir tudo isto em 3 alturas: um dia para um coro ao qual participo recentemente (belo concerto o de ontem!), outro para as amigas da faculdade e mais outro para o meu amado MEC em fim-de-semana intensivo por Sesimbra - onde se canta, se diverte mais do que ninguém e se partilham momentos de grande companheirismo.

Lá se inicia aquele sentimento próprio Tuga de saudades, antes da partida!