segunda-feira, dezembro 18, 2006
God Jul!
God Jul!
sexta-feira, dezembro 15, 2006
Resumo da semana: a precisar de caminha parte II
Na segunda-feira fui fazer bolinhos de Natal com uma das professoras de inglês que me convidou para fazer de pasteleira numa outra escola em Eskilstuna, juntamente com outras amigas dela que são também professoras. A massa para os bolos já estava feita e amassei apenas os bolos em forma de "ferradura" que foram prontamente para o forno. Acontece que acontece-me sempre alguma coisa quando estou dentro de uma escola fora de horas: a minha colega deixou os bolitos tempo demais no forno e claro que as "ferraduras"ficaram tostadinhas e prontas para serem pregadas no casco de qualquer cavalo. Mas isso não foi o pior. O detector de fumos começou a apitar e lá vieram os senhores bombeiros prontamente. Ficámos logo nervosas porque nestas situações a responsável pelo soar do alarme teria que pagar nada mais, nada menos do que 40000 coroas. Os senhores lá foram simpáticos e foram pagos com bolinhos caseiros.
Tomem lá uns bolinhos antes que se queimem:

Esta semana foi também bastante movimentada, pois a escola recebeu de visita, também como parte de um programa comunitário que a Essie participa, um grupo de alunos italianos (18 rapazes e uma rapariga) e dois professores (Sofia e Gabrielle). É um grupo bastante animado e os rapazes mostraram sempre entusiasmo em relação às alunas suecas. Faziam logo uma festa, suspiravam como jovens apaixonados, e mandavam piropos. Como verdadeiros latinos, falavam alto e agitavam muito as mãos. Tem sido um prazer enorme ouvir italiano que foi sempre para mim a língua mais bonita ao ouvido. Depois tenho a vantagem de perceber a maior parte das coisas do que dizem - até os alunos começaram a ver que eu de vez em quando me ria com as asneiras que diziam - oopps que vergonha! Ela percebe! eh eh
Cá está o grupo fantástico de italianos, a cantarem uma música tradicional da sua terra - Cesane:

E durante esta semana lá tenho acompanhado os italianos por Eskilstuna. Na terça houve uma pequena festa e jantar organizados pelas professoras mais novas da escola para promover o contacto entre os italianos e os alunos que irão visitar Itália no próximo ano. Ontem fui ao edifício do "City Hall" onde se ouviu falar sobre a situação política e económica da cidade. Depois fui eu, mais o grupo de alunos, a Essie e um dos professores italianos jogar bowling. Ainda houve tempo para ir à escola onde se passava o "Open house" - a escola estava aberta até às oito da noite para que pais e alunos descobrissem o que se faz ao certo na escola.
Em relação ao meu trabalho tive várias apresentações sobre Portugal aos vários alunos: - a minha forma de concurso televisivo tem tido algum sucesso - já sabem o nome da montanha mais alta de Portugal, a capital, o fado, o total de pessoas que falam Português (pensavam antes que eram só portugueses e brasileiros). Um grupo de alunos de desporto por acaso surpreendeu-me. Depois de mostrar a imagem de Vasco da Gama e terem acertado o nome do senhor (as hipóteses eram fáceis), em tom de brincadeira perguntei eu - então quem foi o senhor Vasco da Gama? Um dos alunos prontamente apontou no mapa e fez o percurso a dedo de Portugal até à Índia que me deixou orgulhosa (em termos patrióticos) e realmente surpreendida.
Bom, para a semana já começam os preparativos de Natal e já só penso na minha visita a Portugal. Fico um pouco triste. Não por me ir embora, pois vou voltar daí a duas semanas, mas por sair sem ver esta época natalícia sem neve. O espírito geral entre colegas e alunos suecos é o mesmo - tristeza - Natal sem neve, não é Natal. Pois, eu vinda de Lisboa, já estou habituada e em tom de brincadeira até lhes digo que este Inverno em Eskilstuna, mais parece Inverno em Portugal. Assim que o avião levantar voo, quando sair da Suécia, a neve irá cair satisfeita. :)
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Ser sueco é...
2. Enquanto se conversa, dizer constantemente "Ja" (pronuncia-se Ah) - Ah Ah Ah Ah e terminar com um Ah aspirado como se tivesse um pequeno ataque asmático ou susto.
3. Ser obcecado por velas - têm velinhas em cada canto da casa, adoram comer à luz das velas, principalmente nesta altura de época natalícia.
4. Fikar de manhã, fikar depois do almoço, fikar no meio da tarde. Buga Fikar para uma Fika?
5. Comer com as costas do garfo;
6. Misturar compota com arroz a batatas;
7. Pagar vários preços para um bilhete de cinema de acordo com o tamanho do filme. (entre 80 a 120 coroas...bolas!)
8. Ser muito paciente nas longas bichas do multibanco.
9. Convidar alguém para uma caçada de alce às 4 horas da manhã.
10. Portar-se bem durante o dia e portar-se mal numa festa, terminando com uma bebedeira crónica.
quinta-feira, dezembro 07, 2006
The Love Boat la la la la

Pronto..mal entrei no navio chamado "Cinderella" fiquei com aquela cantiga antiga da série de TV que preenchia as tardes da minha infância. O navio é enorme com cerca de 11 andares, com spa, vários bares, uma discoteca e aquelas máquinas que vemos nos casinos onde as velhinhas gostam de perder tardes inteiras a meter as moedinhas. O melhor foi encontrar um supermercado com produtos "free tax".
Aqui têm um link com informacão sobre a Vicking lines - a companhia de navios/cruzeiro que fazem viagens pelo mar báltico - achei piada aos nomes dos navios - todos termiam em ella - Cinderella, Gabriella..já agora...Isabella :D e os preços são bastante acessíveis.
http://www.vikingline.fi/index.asp?lang=en
Quando chegámos já era de noite, por isso não deu para ver muito do arquipélago de Estocolmo a não ser luzes entre a escuridão. Por isso o resto da noite foi celebrada com muita dança - desta vez sim, diverti-me imenso com os professores do programa IT (éramos ao todo 13) sem bebedeiras exageradas e icêndios ou cabeças partidas, mas uma belíssima e comovente sessão de Karaoke e bailarico até às 2h da manhã. 4a feira foi mesmo dia para aproveitar a paisagem marítima. Depois do pequeno-almoço, enquanto que os restantes professores foram a uma conferência, eu aproveitei para dar uma volta pelo navio e tirar algumas fotos. Mas o balanço do navio fez-me ficar ainda mais sonolenta (só tinha dormido umas 4 horas) e fui para a minha cabine recuperar o sono perdido. Estava com a esperança de encontrar um milionário no navio, mas não tive essa sorte - só mesmo no barco do Amor. :)

O navio teve muito pouco tempo em terra - em Åland - uma ilha que pertence à Filândia, mas cujos habitantes falam maioritariamente o sueco. Por isso não saí do navio. Mas foi neste dia que pude desfrutar o belíssimo arquipélago de Estocolmo, com as suas mais de 24.000 ilhas por vezes ocupadas com casas pitorescas. Sem palavras. :)


A cidade de Estocolmo ao longe.
Mais fotos de Eskistuna
terça-feira, dezembro 05, 2006
Torshälla e Sta Lucia
A parte mais antiga da vila:

É aqui onde eu moro. Costumo ir para a escola de barco a remos. eh eh


O deus escandinavo da trovoada, Tor no meio do rio Eskil.
Depois do longo passeio e do jantar fomos ao concerto de Sta Lucia, que é celebrado no dia 13 de Dezembro mas que foi antecipado. A actuação foi feita pela escola de Música de Eskilstuna e pelos alunos de várias escolas da vila. O espectáculo começou com a celebração à Santa Lucia, com crianças vestidas de branco, a segurarem velas, e a cantar cânticos dedicados à Santa.

Ainda ninguém me soube explicar como é que uma santa italiana veio parar aos confins da Escandinávia e veio a ter um siginificado tão especial nesta altura do ano. Há quem diga que de santa não tinha nada e que era uma bruxa com um pacto com o demónio. O que é certo, e nisso todos concordam, tudo o que traga luz à escuridão do Inverno sueco é sempre bem-vindo. E é a luz que é celebrada - a Santa surge até com uma coroa de velas na cabeça. Todos os anos e em todas as cidades ou vilas é eleita a "santa" para a celebração. Na escola onde estou a trabalhar já têm várias candidatas, para a eleição e, entretanto já foi eleita a de Eskilstuna.
Entre os jovens da escola estas celebrações passam um pouco ao lado -Santa Lucia é mais para as crianças - dizem muitos.
Depois da procissão de velas, houve um espectáculo de dança com o tema dos "Piratas das Caraíbas" - já um pouco fora do tema da Santa e com esqueletos e fantasmas à mistura.
Finalmente foi a actuação da convidada especial do espectáculo - Linda Bengtzing - uma cantora mais conhecida pela Eurovisão da canção - tentou duas vezes e não conseguiu ganhar. Como se sabe os suecos adoram esse estilo de música de Eurovisão. Pessoalmente acho uma seca. O espectáculo continuou com a estrela da noite e todas as crianças e jovens a cantarem canções de Natal - acho que foi um pouco de mais e já estava a ficar enjoada com tanta cantiga de centro comercial. No entanto, fiquei bem impressionada com a qualidade do espectáculo e há muitos jovens com talento em Ekilstuna. :)
sexta-feira, dezembro 01, 2006
calhava bem uma caminha...
Apareceram dois alunos novos e interessados em aprender Português e tive que lhes dar uma aula resumida da matéria dada, para não andarem perdidos. Depois são as aulas para assistir. Fiz uma apresentação sobre Portugal a uns alunos - para a aula ser um pouco mais motivada comecei por fazer um concurso com eles e fazer perguntas de escolha múltipla - depois de ouvirem as respostas lá ficaram a saber que há muitos milhões de pessoas que falam português e que existe muito mais do que praia e sol nesse cantinho à beira mar plantado. Penso que gostaram. Segunda-feira vou fazer a mesma apresentação a outra turma.
Depois são os coros que andam um pouco agitados com o Natal à porta e as celebrações de Santa Lucia. Estou a gostar do contraste - às 4as feiras vou aos ensaios de um coro bastante jovem (idades entre os 19 e os 21 anos) - que cantam mesmo muito bem. O maestro é bastante animado e os ensaios têm uma grande variedade musical - desde música renascentista aos cantares animados de gospel.
O ensaio de quinta é com pessoas muito mais velhas que me olham com muita ternura por ser a mais novinha. Os cânticos são sobretudo em sueco (pensei que fosse muito complicado pronunciar as palavras, mas não é..) e um pouco mais tradicionais. Ri-me com o final de um tema que me fez lembrar o nosso amigo Lopes Graça - grande grito estridente para acordar a assistência. Mai nada! Acho que iriam gostar de cantar o "Acordai" ou o "Menino nas Palhas" :)
No próximo domingo vou a um concerto de Sta Lucia. Uma das professoras de inglês, Eva, convidou-me a passar o dia com ela e a família no local onde mora e depois ir ao concerto em que a filha participa.
Terça e quarta-feira os professores do programa IT (onde estou como penetra) vão a um cruzeiro para a Filândia. Claro que a penetra vai participar, mas dado ao que aconteceu na sexta-feira passada estou a torcer um pouco o nariz, até porque estar num navio no meio do mar é impossível fugir dos eventuais bêbados. lol Certamente vai ser outro momento interessante a relatar (com fotos direitinhas incuídas).
Bom, daqui a pouco tenho uma aula de Português com os alunos do Step2. Bom fim-de-semana!
quinta-feira, novembro 30, 2006
Fotos do meu pequeno apartment...
A minha caminha e uma poltrona que serve de mesa de cabeceira:
A janela do quarto que dá bastante luz. Gosto muto de estar no cantinho a ler e a cuscar os vizinhos. ihihih
A cozinha com o equipamento todo:
A mesa da cozinha onde como e faço a maior parte do trabalho.
E pronto. :)
quarta-feira, novembro 29, 2006
O sueco em festa - o autêntico animal...
Como já tinha dito foi o dia dedicado aos funcionários da escola em que participaram em diversas actividades e que culminava com um jantar e festarola. O que parecia ser um programa bastante original e divertido tornou-se em algo mesmo muito estranho. Pela primeira vez senti-me como uma observadora internacional, ou melhor como uma repórter de documentários para a National Geographic. Tema do documentário: O sueco em festa - o autêntico animal...
Bom é melhor começar pelo princípio - a caminhada - a minha primeira actividade do dia. Parecia ser engraçado fazer uma caminhada pela floresta, contemplar a natureza, respirar o ar puro, observar o verde das árvores, ouvir os barulhos dos passarinhos a chilrear. Essa é a minha definicão de caminhada. Ora bem, na definicão de um sueco - a caminhada deve ser certamente corre-o-quanto-antes. Éramos um pequeno grupo de quatro pessoas, duas das quais sabiam o caminho, mas que quando dei por ela desapareceram no meio do verde enquanto o diabo esfrega o olho. Fiquei eu e uma professora na conversa sem saber por onde íamos ou até com a ideia de que iríamos ficar naquela floresta às voltas até de madrugada. Mas nada de stress - fomos caminhando e conversando. A minha companheira contou-me a história da sua vida (antes tinha sido antropóloga e é agora professora de Matemática e de Sueco) e desabafou sobre as suas angústias. Não sei como fomos parar perto do LIDL e da minha casa. Mas pronto não nos perdemos totalmente e chegámos à escola.
Esta foi a única foto que consegui tirar do passeio:

2a actividade do dia: Square Dance - ao contrário do que pensava, a square dance é dançada em grupo. Cada qual tem o seu par mas depois andamos às voltinhas, para a esquerda e para a direita e para o centro, seguindo o nosso "instrutor" a cantarolar as ordens ao som da música dos states. Esta foi sem dúvida uma actividade divertida que me fez recordar a saudosa festa escocesa com os meus amigos MECianos. (agora não sei porquê ...não consigo meter as fotos...grrr)
aqui vai mais um link com o bailarico:
http://picasaweb.google.com/Zabelita/SquareDance?authkey=80lGIqEEk70
3o momento do dia: o jantar - depois de correr até casa, tomar um banho rápido, voltei para a escola para participar no tão aguardado jantar. A refeição foi especialmente confeccionada por um dos professores da escola que é um verdadeiro mestre da culinária. Todos os anos alguns professores inscrevem-se para ajudar na cozinha e servir os restantes convidados. É sempre um momento de bastante stress e o menú é sempre segredo até ao dia do jantar. Primeiro comi uma sopa de peixe que é só apanhado em rios - parece-se muito com camarão. Depois o prato principal foi rena (pobre do Pai Natal que ficou sem uma) com batatas e sementes de sésamo e finalmente a sobremesa - uma fatia de queijo com fruta e biscoitos de gengibre e para mim o melhor - um bolo de chocolate dinamarquês.
http://picasaweb.google.com/Zabelita/Jantar2411?authkey=C1HLy3UE3_0
Finalmente: o momento mais estranho da noite: a festa. O início até que foi engraçado - os participantes dividiram-se em quatro grupos e a cada pessoa foi colada um papel com um nome de uma pessoa famosa que tinha que adivinhar. Calhou-me uma vedeta internacional - a Julia Roberts e no meio de questões de sim ou não acabei por descobrir a resposta.
Depois comecei a aperceber-me que a muitas pessoas à minha volta já andavam com os copos logo no início da festa, incluindo o pai Natal.. Começou a música e tudo a ficar cada vez mais alegre. Os seucos adoram dançar danças de salão (ao qual sou uma naba) e música da Eurovisão! Aquilo tem um sucesso tremendo nas discotecas suecas!
Agora estão a imaginar: pessoal já a cair para o lado, a dançar com um acompanhante imaginário, e de repente começou um cartaz a pegar fogo. Felizmente ficou tudo controlado... pessoal com os copos, a dança continua...e de repente um bailarino ficou de tal forma entusiasmado que bateu com a cabeça na lareira e feriu o sobrolho - soube mais tarde que levou cerca de 13 pontos e que vai ficar com uma bela cicatriz.
http://picasaweb.google.com/Zabelita/Festa2411?authkey=Pg3lL7V5Mjw
Segunda-feira depois da ressaca os organizadores da festa levaram com o discurso dos reitores (são 3) e a medo lá me perguntavam opiniões da festa e eu lá respondia - foi interessante a nível cultural e antropológico, sem dúvida. "As festas cá da escola não costumam ser assim..." desculpavam uns, "este ano...é que...." bom... sem palavras.
quinta-feira, novembro 23, 2006
Actualização
O trabalho de professor nesta escola, como já anteriormente referi, é bastante flexível - não dependem de nenhum programa e fazem o plano das suas aulas de acordo com as necessidades dos alunos. Podem usar e abusar da sua imaginação para fazer aulas diferentes, mais dinâmicas, sem a preocupação de cumprir programas.
E depois apareço eu para ajudar os alunos a falarem inglês - não têm outra hipótese, pois o meu sueco é ainda muito limitado. Os professores agradecem a minha presença para obrigarem os alunos a falarem inglês - muitos deles são bastante tímidos e quando pergunto se precisam de ajuda, dizem logo que não para não ter que falar. Mas aos poucos têm começado a se habituarem à minha presença e já começam a falar mais comigo. Bom sinal :)
Amanhã os professores e funcionários vão "expulsar" os alunos da escola e vão fazer uma festa. Durante a tarde vai haver uma série de actividades e à noite festa de arromba com música e bailarico.
Inscrevi-me em duas actividades interessantes: uma caminhada pela floresta, mesmo ao lado da escola - para matar saudades das caminhadas que fazia em Portugal - e um workshop de uma dança muito popular nos "states" - "square dance" en que os cowboys e as cowgirls fazem uns passos para a direita e para a esquerda, para a frente e para trás - já me estou a ver a trocar-me toda e a pisar o pé de alguém. Vai ser certamente divertido e vou aproveitar para tirar muitas fotografias.
Assunto resolvido...
terça-feira, novembro 21, 2006
À procura de um coro - parte 2
Agora surgiu-me um problema: para além deste coro, encontrei um outro, cujos ensaios são no mesmo dia, na mesma hora e acho que no mesmo local que o outro. Pronto, surgiu-me uma dúvida moral em ter que escolher apenas um... (normalmente quando isto me acontece surge-me a música dos Dois Amores do Marco Paulo... maluquices...)
Caso de Polícia
quarta-feira, novembro 15, 2006
Heróis do mar, Nobre povo...
Depois apresentei alguns símbolos de Portugal relacionados com a nossa história e a nossa cultura - a mais popular como a gastronomia - o vinho do Porto e o bacalhau; o galo de Barcelos, os Descobrimentos - a criação do mito de Sebastianismo - aquele esperar eterno por algo, que caracteriza tanto o sentimento da Saudade - e com a Saudade, temos o fado e foi a deixa para escutarem um pouco "os verdes anos" de Carlos Paredes.
A seguir, falei um pouco sobre Literatura. Escolhi apenas Camões e Os Lusíadas, José Saramago, vencedor do prémio Nobel da Literatura, recebido em Estocolmo, António Lobo Antunes e por fim, Fernando Pessoa. Ufa, acabou. Eu sei, faltava muitas mais coisas para dizer, mas o que interessa é que eles gostaram e ficaram a saber mais alguma coisa sobre o nosso país. Claro que no fim de ter mostrado fado e saudade afirmei que os portugueses não são assim tão tristes...temos uma triste vida, é verdade, mas sempre com um sorriso. :)
E nunca mais arranjo um coro...
Arranjei um contacto de um maestro de um coro, só que está a ser complicado combinar um encontro com o senhor. Amanhã esperemos que não haja nenhum contratempo e que consiga finalmente falar com ele, fazer um choradinho que a minha vida de coralista faz-me falta. Estar aqui na escola é muito bom, mas sinto falta de fugir um pouco à rotina e continuar com as minhas cantorias. Nem em casa sinto que posso cantar à vontade, com a minha voz de soprano, com receio que os vizinhos façam alguma queixa - ainda no outro dia bateu-me à porta um vizinho do segundo andar a queixar-se do meu andar que tremia um pouco a casa. Bem, o que vale o rapaz foi bem educado e fez antes um discurso de boas vindas... pronto desculpe, sim... não estou habituada a viver num apartamento de paredes e chão sensíveis...
Bem - já fugi ao assunto. Tenho tido a ajuda da minha orientadora e do professor de música da escola neste demanda de um santo coro. Até o prof, Andreas de seu nome, convidou-me para assistir aos ensaios do seu pequeno coro, só de meninas. Gostei de ouvi-las - as contraltos até cantavam bem, as sopraninhas é que precisavam de um pouco de atitude para as notas agudas. Mas já tenho partituras suecas - músicas tradicionais dedicadas ao Natal e Sta Lucia, bem bonitas. Bom, não sei se vou poder continuar a assistir, pois apareci e desapareci num ápice, como uma flecha a correr para a aula de Português e só fiquei por lá meia hora. Mas já deu para matar saudades...
Ufa
Já iniciei o meu trabalho e finalmente tenho o meu horário definido. As aulas de Português começaram logo no início da semana passada com uma turma de sete alunas (step1) e outra de (step2) com dois alunos. Os dois rapazes já sabem Português. Um deles, Philip Amir, é filho de mãe portuguesa e pai iraniano e utiliza como idioma de comunicação em casa a nossa língua. O outro rapaz, Martin, tem uma ligação com Portugal bastante curiosa. Quando tinha 11 anos a mãe decidiu partir de carro para outras terras com ele, chegando aos Algarves onde permaneceram durante dois anos. Hoje o Martin vai todos os anos a Portugal, durante o Verão, visitar os amigos.
Tenho mais receios com a turma de step 1, pois algumas alunas não me parecem muito aplicadas e como a nossa língua é um pouco traiçoeira tenho alguma dificuldade em utilizar um método mais simples para explicar a gramática ou até mesmo a pronúncia - por acaso neste departamento elas até se têm safado. Vamos lá ver no que isto vai dar.
Também já fui assistir às primeiras aulas de Inglês. Posso dizer que o que há de comum entre as escolas portuguesas e as escolas suecas, são os alunos. Há de tudo - desde os mais apáticos, aos mais conversadores, os caladinhos e trabalhadores, os preguiçosos e engraçadinhos. Mas o que há de diferente é o facto de terem a liberdade de fazerem o que querem - mascar pastilha, ouvir música enquanto trabalham, fazer desenhos, sair da sala à vontade para ir à casa de banho sem pedir autorização e o professor não diz nada. Ao menos, mal ou bem vão trabalhando e têm alguma responsabilidade. São também uns felizardos, pois o Estado dá-lhes tudo - os livros, as refeições, os materiais da escola, computadores à sua disposição... tudo que um pai tuga tem que dispôr do seu orçamento a bem para os seus tuguinhas. Mas o facto de terem tudo, causa alguns problemas de desinteresse por parte de alguns, que não se esforçam muito para trabalhar. O mesmo acontece aos meninos tuguinhas mimados do nosso país, que têm tudo graças à genorisidade dos seus pais. Penso que é o mal da sociedade do mundo Ocidental.
terça-feira, novembro 07, 2006
Fotos campestres
http://picasaweb.google.com/Zabelita/ImagensCampestres?authkey=F4JET8cSTKAwILk_nl7td4qc9Pc
A Escola do Futuro
A Rekarnegymnasiet é uma escola modelo preparada para o futuro. Foi totalmente remodelada, graças ao dinheiro dado pelo generoso governo, mas não é uma escola com um sistema igual a de todas as escolas na Suécia. Por isso, não posso dizer que esta escola é igual a tantas outras espalhadas pelo país.
Basicamente a escola divide-se em vários programas : Construction, Electricity, Vehicle, Business and Administration, Social Science Programmes, Specially Designed Programme, Information Technology, Sports and Health. Fiquei literalmente de boca aberta com a forma como a escola está dividida, de acordo com os programas. Os da Construção têm o seu próprio espaço para construírem tudo o que seja ligado à carpintaria - ou seja, constróiem e desmontam pequenas casas. Os da electricidade têm também a sua própria oficina com materiais eléctricos, os de mecânica têm carros para treinar e espamo dos espamos um camião!
Os programas menos técnicos têm também o seu próprio espaço, com computadores e salas de estudo à disposição. Tudo num clima bastante relax, onde professores e alunos coexistem pacificamente no mesmo habitat. Os professores têm o seu próprio gabinete - eu neste momento estou a escrever na minha secretária com um computador só para mim. Isto é que é vida! Um sonho para qualquer professor! E melhor ainda - se o professor precisa de descanso depois de muitas horas de trabalho, há um pequeno quarto com caminha e mesa de cabeceira para o descanso merecido. lol Numa escola normal portuguesa, um quarto desses seria muito concorrido...
Cada professor faz parte de cada um dos programas - a minha orientadora é responsável pelo programa de IT - Information Technology e responsabiliza-se pela disciplina de Inglês relacionando-a também com essa área e que está de acordo com o interesse dos alunos. O mesmo se passa na escolha do programa e do manual utilizado, onde o professor tem uma maior manobra de escolha.
A escola e alguns professores preparam-se para o futuro, pois muito do seu trabalho depende das novas tecnologias. Muitos dos computadores da escola e fora dela, que os alunos utilizam estão ligados a um sistema de intranet. Ou seja, todas as infos que os profs querem transmitir aos alunos é feito por computador. Um simples TPC pode ser consultado pelo aluno para saber o que fazer durante a semana ou o que ler para a próxima aula. Por isso, não há escapatória possível. Contudo, nem todos os profs aderiram a este sistema. Já é no entanto um começo. Ainda longínquo para qualquer escola em Portugal.
Ontem fui assistir a uma aula da minha orientadora que tinha apenas umas simples recomendações a dar. Basicamente tinham que fazer uma leitura e depois um trabalho escrito. Apesar da balbúrdia na sala dos computadores, os alunos trabalhavam, pois sabem que têm um prazo a cumprir. Vejo que os alunos, têm a total liberdade de seguirem o seu próprio ritmo de trabalho e de programarem o seu estudo. Por isso, cabe ao aluno maior autonomia e responsabilidade pelos seus resultados. O professor tem apenas o papel de orientador.
Certamente irei comentar mais acerca do que irei ver nesta escola. Como já referi, nem todas as escolas na Suécia funcionam assim e muito depende dos directores das escolas, em como gerem o dinheiro que recebem do estado e também dos professores que podem ser mais conservadores que outros.
Uma escola igual a esta, em Portugal, só em 2050...
segunda-feira, novembro 06, 2006
TV Sueca
Mas também há a TVI cá do sítio - um pouco mais moderada, com concursos televisivos, os Ídolos, e alguns programas da Reality TV. Enquanto que em Portugal existe um programa com mulheres à quererem um milionário falso, cá há um grupo de mulheres a atirarem-se a um agricultor. Agora se é falso ou não, não sei. Sim, leram bem - um agricultor, alto e robusto que não tem medo de tirar ervas daninhas...Será que é o homem de sonho de qualquer mulher sueca? lol
quinta-feira, novembro 02, 2006
Um pouco de neve
Estes dias têm sido bastante tranquilos, sem muito para fazer, pois são férias na escola. Por isso, tenho andado a aproveitar para passear um pouco, para conhecer a zona. Encontrei perto de onde moro uma pequena biblioteca onde posso usar Internet. Por isso ainda vou poder estar a par de e-mails e notícias.
Bom, daqui a pouco já fecha, por isso tenho que parar de escrever...hej då!




